W.F. CITADO
Ministro Barroso decide prorrogar inquérito do Decreto dos Portos
São alvos o presidente Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures e empresários da empresa Rodrimar. Fagundes teria agido como interlocutor
09 de Outubro de 2018, 08h33
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso decidiu hoje (8) prorrogar o inquérito que investiga o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A na edição do chamado Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017), assinado em maio do ano passado pelo presidente Michel Temer.
O pedido de prorrogação foi feito pela defesa de Temer com objetivo de solicitar a oitiva do ex-ministro dos Transportes Maurício Quintella, que poderia esclarecer os fatos sobre alterações no texto do decreto. A prorrogação também contou com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Com a decisão de Barroso, o depoimento de Quintella deverá ser realizado até o próximo dia 15.
Além do presidente Michel Temer, são investigados nesse inquérito o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures e os donos da Rodrimar, empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Mesquita.
No inquérito, que ainda não teve denúncia apresentada, é investigado o suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A, concessionária do Porto de Santos (SP), por meio do decreto assinado por Temer em maio do ano passado.
O presidente nega todas as suspeitas. No início do ano, ao responder por escrito a questionamentos dos delegados responsáveis pelo caso, a defesa de Temer declarou que ele nunca foi procurado por empresários do setor portuário para tratar da edição do decreto.
Wellington Fagundes
O senador Wellington Fagundes (PR) foi citado pelo executivo Ricardo Mesquita, da Rodrimar, em depoimento à Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga o presidente Michel Temer (PMDB). Segundo o empresário, a Rodrimar tem um pleito junto ao governo federal pela prorrogação da concessão de exploração de áreas no Porto de Santos, onde o presidente da República possui grande influência. O interlocutor entre Mesquita e Temer seria o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o "homem da mala" com R$ 500 mil recebidos da JBS supostamente a mando do presidente.
Em suas tentativas para conseguir a prorrogação da concessão, já com Temer na Presidência, Mesquita teria ficado sabendo que a ampliação dos prazos para contratos anteriores a 1993 estava tendo dificuldades na Casa Civil e acionou Rocha Loures "pretendendo que ele, juntamente com outros interlocutores do setor portuário, como o senador Wellington [Fagundes], agisse para resolver o problema".
Em fevereiro, Wellington prestou depoimento à PF.