DELAÇÃO PREMIADA
Ex-secretário de Silval firma acordo para detalhar desvio de R$ 8,1 milhões
Valdísio Viriato é suspeito de manter alto padrão de vida com dinheiro de corrupção
09 de Novembro de 2018, 09h58
O ex-secretário adjunto de Transportes e Pavimentação Urbana (Septu), Valdísio Viriato, que exerceu a função na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Estadual (MPE) para detalhar o desvio de R$ 8,1 milhões dos cofres públicos.
Em troca, conforme a legislação, poderá ter a pena reduzida de 1/3 a 2/3 ou até mesmo receber perdão judicial. A homologação do acordo de colaboração premiada veio a conhecimento público com a decisão publicada pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, na edição do Diário da Justiça Eletrônico na quinta-feira (8).
As revelações poderão culminar em novos inquéritos policiais e novas fases de operação policial seja pela Delegacia Fazendária seja pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Outra suspeita é que o ex-secretário adjunto se transferiu para Santa Catarina com o término do mandato do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), para "dissimular o alto padrão de vida que lhe rendeu esses anos de desvios de dinheiro público. Longe, fora do alcance do Judiciário, poderá facilmente evadir-se e livrar-se da aplicação da lei penal".
Em Santa Catarina, Valdísio Juliano Virato se apresentava como empresário, figurando como dono das empresas KV Energia LTDA, BVPX Automotiva LTDA, BVPX Camboriú LTDA e Emavi Investimentos e Participações S.A. Ainda é o proprietário de três apartamentos de luxo, próximo a praia, no Centro de Balneário Camboriú.
A quinta fase da Operação Sodoma investiga fraudes à licitação, corrupção, peculato e organização criminosa em contratos celebrados entre as empresas Marmeleiro Auto Posto LTDA e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática LTDA, nos anos de 2011 a 2014, com o Governo do Estado de Mato Grosso.
De acordo com a Polícia Civil apurou, as empresas foram utilizadas pela organização criminosa, investigada na operação Sodoma, para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas, utilizando-se de duas importantes secretarias, a antiga Secretaria de Administração (Sad) e a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Septu), antiga Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).