SUSTENTÁVEL
Artigo de Blairo Maggi reforça nova postura de ministro, antes alvo de críticas
09 de Dezembro de 2016, 09h13
Em artigo enviado nesta semana à imprensa, o atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), tratou de reforçar o que chamou de "compromisso sustentável". O texto (postado abaixo) fala das emissões globais de gases, efeito estufa e, claro, parcela de culpa do Brasil. Novos tempos de um novo ministro.
Maggi já foi alvo de críticas justamente pelos seus impactos ambientais. Assim o acusavam ativistas, com direito ao prêmio infame Motosserra de Ouro. Passados os anos e o ministro calou a oposição.
Acostumados a um Maggi focado no "agronegócio a todo e qualquer custo", ambientalistas, trabalhadores do campo e imprensa jamais imaginavam que o atual ministro levantaria com seriedade as bandeiras que tem defendido na capital Federal. A nomeação do mato-grossense pra a Pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem sido vista como um avanço para as questões ambientais, especialmente, em virtude de mudanças feitas em suas propriedades, que compõem o conglomerado de empresas da Amaggi.
Passou, então, a ser elogiado pelos mesmos ativistas. Foi reconhecido por esforços em pró das causas do meio ambiente. Existe, ainda, uma investigação que envolve seu grupo empresarial ao desmatamento ilegal em terras da Amazônia. Enquanto não se chega a uma conclusão, porém, Maggi vem convencendo por esta nova face.
Especialistas que antes se revezavam para o embate frente à nomeada dos tempos de Dilma, Kátia Abreu, hoje definem o novo empossado como "esperança". Quem diria.
Abaixo o artigo:
Compromisso Sustentável
Apesar de contribuir com apenas 2,48% das emissões globais de gases de efeito estufa, o Brasil vem dando exemplos consistentes ao chamar para si a responsabilidade de ajudar a manter o aumento da temperatura global entre 1,5 e 2 graus até o fim do século. Ao ratificar o Acordo de Paris, o país se comprometeu a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até 2030, comparado com 2005. Esse compromisso, chamado NDC no jargão oficial, é considerado ambicioso para um país em desenvolvimento.
O compromisso brasileiro não é setorial, ou seja, deverá ser atingido no conjunto da economia e sem prejuízo ao desenvolvimento sustentável. Existem caminhos específicos, não vinculantes e não excludentes, que podem ajudar o Brasil a reduzir as suas emissões. A recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e o fortalecimento do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) para aumentar em cinco milhões de hectares os sistemas que integram lavoura, pecuária e florestas (ILPF) são outro caminho a ser seguido. Um estudo recente da Embrapa e parceiros privados identificou que o Brasil já possui 11,5 milhões de hectares em sistemas ILPF, superando a perspectiva apontada para 2030.
A agricultura brasileira apresenta uma oportunidade ímpar para ajudar o Brasil a cumprir a sua NDC. O plantio de grãos é feito diretamente na palha, o que retém carbono e matéria orgânica no solo. Essa técnica racionaliza o uso de máquinas agrícolas, com substancial redução no consumo de combustível, evitando emissões. Essas emissões evitadas são significativas, uma vez que 53% dos recursos de custeio do Plano Safra 2015/2016 foram destinados a sistemas de plantio direto.
O Ministério da Agricultura busca investidores e organizações com potencial de buscar soluções para adaptar a agricultura brasileira a uma realidade de mudança de clima, com contribuições concretas para a descarbonização da economia. Em colaboração com algumas organizações ambientais, estamos estudando a criação de fundos garantidores que reduzam o risco do acesso ao crédito para agricultores que desejam implementar uma matriz produtiva de baixas emissões. Também já estamos discutindo com o setor financeiro e gmpos de potenciais investidores a possibilidade de emitir títulos verdes {green bonds) em escala.
Tudo isso é novo e demandará tempo de aprendizado e colaboração. Continuaremos empenhados em ajudar o país a atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para 2030 e, dentro deles, cumprir as metas nacionais de redução de emissões. A Proclamação de Marrakech, fruto da 22a Convenção do Clima, ampliou a necessidade e a urgência de implantarmos mecanismos viáveis para descarbonizar a economia global.
Continuaremos, portanto, abertos a todos aqueles dispostos a colaborar conosco de forma pró-ativa, buscando oportunidades de investimento na conservação da nossa biodiversidade e incluindo a conservação e recuperação dos serviços ecossistêmicos prestados por nossas terras agrícolas. Com esses investimentos, esperamos levar adiante, com a urgência necessária, os mecanismos de implementação do Acordo de Paris.