METRALHADORA

Mauro Campos ataca oposição, provoca colegas e sobra até para senador

por GazetaMT

09 de Março de 2016, 16h48

Mauro Campos ataca oposição, provoca colegas e sobra até para senador
Mauro Campos ataca oposição, provoca colegas e sobra até para senador

O tempo era curto, cinco minutos e nada mais. Tudo o que o vereador Mauro Campos (PT) tinha de prazo para discursar na Tribuna da Câmara antes do início das votações postas na pauta deste  dia 9. Foi o suficiente para sua fala esquentar os ânimos da Casa. A nível Federal, o parlamentar atacou o que classificou como perseguição ao ex-presidente Lula - o qual chegou a comparar a Jesus Cristo - e a articulação dos partidos de oposição em prol do "ataque" também à presidente Dilma. E não parou por aí, sobrou até para os colegas vereadores, bem como para um senador da República.

Campos parecia inspirado e seguiu disparando. Começando pelos parlamentares municipais: "Duvido que algum colega venha aqui à frente e diga que em seu partido não exista corrupção". E continuou: "Vamos discutir de forma ampla a corrupção, mas colocá-la na conta somente do Partido dos Trabalhadores não dá para aceitar".  

A reação dos colegas da Casa foi evidente. Um misto de ironia e desconforto. Campos seguiu: "Não se pode dizer que não exista político bom, assim como advogado bom ou juiz. Existem muitas pessoas com boas intenções, mas infelizmente a corrupção é algo impregnado".

No ponto mais alto do discurso, já quase batendo a marca dos cinco minutos, sobrou para o dito senador. O petista tomou o cuidado de não citar o nome, mas seguiu na linha de que para bom entendedor meia palavra já basta. "Não dá para aceitar pessoas que falam sobre ética e que na verdade não prestam. Vejo senador da República, que já foi governador do Estado, envolvido com escândalo de maquinário, atacando a presidente Dilma".

Campos não disse, mas o Senador alvo da fala é Blairo Maggi (PR). O escândalo em questão se refere a um suposto superfaturamento de R$ 44 mi na compra de máquinas agrícolas por meio do programa MT 100% Equipado, quando Maggi era governador do Estado. O processo tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

A resposta

Tão logo quanto veio, o discurso do petista foi rebatido. Um dos primeiros a intervir foi o tucano Rodrigo Lugli (PSDB). O vereador não pegou leve. "O discurso foi totalmente sem propósito. Uma fala de defesa num momento onde quem está atacando não são os partidos políticos, mas sim o sistema Judiciário", disse.

Lugli comentou, ainda, os episódios sucessores da condução coercitiva contra o ex-presidente Lula, dizendo que ao PT coube agora "desvirtuar" o assunto, convocar a militância e tratar as investigações como perseguição. Sobre a articulação dos opositores em Brasília, defendeu: "Os partidos de oposição estão acompanhando e apoiando o sistema Judiciário. O PT é quem tem que se explicar. Só isso".