COLAPSO NA SAÚDE
Sobe para 11 nº de pacientes que morreram à espera de leito na Grande SP
Secretária adjunta de Saúde afirma que cidade tenta transferência de pacientes com Covid-19 desde o dia 3 de março, mas não é atendida pelo sistema Cross, responsável pelo gerenciamento de vagas no SUS.
09 de Março de 2021, 08h24
A secretária adjunta da Saúde de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, Thamires May, disse nesta terça-feira (9) que mais dois pacientes com Covid-19 morreram nas últimas horas à espera de leito de UTI no estado.
De acordo com Tamires, a cidade não consegue, desde a última quarta (3), transferir os casos graves para outras cidades e que o Sistema Cross, que regula vagas SUS no estado, está em colapso.
"Desde o dia 3 nós não recebemos nenhuma vaga. (...) E todas as devolutivas do estado têm sido que o plano de contingência está ativado e que os leitos estão superlotados e não há como receber a nossa demanda".
"Não contávamos com esse colapso na [Sistema] Cross e isso que tem dificultado o nosso município", disse a secretária.
Com ocupação máxima, o sistema de saúde do município não consegue atender a demanda. Segundo Thamires, 16 pacientes ainda aguardam transferência.
"Estamos com 11 pacientes entubados, 16 aguardando transferência via Cross e tivemos 11 óbitos, infelizmente, esses 11 estavam inseridos no sistema aguardando vaga em unidade de terapia intensiva", relata.
A cidade é a primeira a registrar mortes de pessoas por falta de leitos de UTI no estado. A ocupação de leitos na Grande São Paulo está em 81,2%.
O G1 entrou em contato com a Secretária Estadual da Saúde e aguarda retorno.
Desde julho de 2020 a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) é responsável pelo sistema CROSS, central que regula ofertas de serviços de saúde nos hospitais públicos, como vagas nas unidades de terapia intensiva (UTI).
O contrato firmado entre a associação e o governo do estado chegou a ser alvo de questionamentos do Ministério Público à época.
As vítimas começaram a morrer à espera de leitos na última sexta:
Na sexta-feira (5) morreram uma mulher de 76, outra de 73 anos, um homem de 75 anos e um homem de 58
No sábado (6) uma mulher de 95, outra de 74 e um homem de 46 anos
No domingo (7) um homem de 52 anos
Nesta segunda (8) um homem de 72 anos, um homem de 71 anos e uma mulher de 75 anos morreram na fila
A secretária ainda afirmou que Taboão não conta com leitos de UTI. Todo atendimento de pacientes Covid é feito na UPA (Unidade de Pronto Atendimento).
O município adaptou leitos de enfermaria para garantir a ventilação mecânica de mais graves, mas não tem condições de dar suporte a casos, por exemplo, que necessitam de hemodiálise.
"Nosso limite são os respiradores. Nós ampliamos o número, nós temos dez leitos de suporte respiratórios, mas essa semana nós chegamos a ter 14 pacientes entubados. Em nenhum momento houve uma falha do município. Nós temos um limite em relação ao atendimento e aparelhagem. Não conseguimos realizar alguns procedimentos que são realizados apenas em hospitais de alta complexidade".
Ainda segundo Thamires, a prefeitura não conta com nenhum leito do estado no município. O Hospital Geral do Pirajussara, que é estadual, não está atendendo pacientes de Covid-19.
Recordes
Segundo dados da Secretaria da Saúde, o estado tem 19.657 pacientes hospitalizados com quadro confirmado ou suspeito da doença, sendo que 11.000 pessoas estão internadas em leitos de enfermaria e outras 8.657 em leitos UTI.
O total de pacientes internados bateu recordes todos os dias desde 27 de fevereiro: naquela data, o estado tinha 15,5 mil pacientes em leitos de internação, valor que já constituía um recorde. Nesta segunda, são 19,6 mil, o que representa 4,1 mil pessoas a mais em 10 dias.
A média móvel de mortes por coronavírus também foi a maior desde o início da pandemia nesta segunda (8), com 291 óbitos causados pela doença por dia.
Além disso, a taxa de ocupação de UTIs do estado de São Paulo também alcançou seu maior índice histórico, com 80,9% dos leitos ocupados.
Hospitais de campanha
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou nesta segunda-feira (8) a abertura de 11 novos hospitais de campanha no estado. A previsão é a de que as estruturas sejam liberadas até o dia 31 de março.
Eles serão montados nas cidades de Santo André, Andradina, Santos, Barretos, Botucatu, Campinas, Ourinhos, Tupã, Itapetininga, Fernandópolis e na capital paulista.
As unidades serão instaladas junto aos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) de cada uma das cidades, exceto os hospitais de campanha de Fernandópolis, que será montado junto à Unidade de Reabilitação Lucy Montoro, e da capital, que será vinculado ao Hospital São José, na Zona Norte da cidade de São Paulo.
Para a presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), a abertura de novos leitos em um cenário de transmissão descontrolada é insuficiente. “O tempo de internação desses pacientes [com Covid-19] é mais prolongado, mais que o dobro do paciente de terapia intensiva normal. Então rapidamente esse recurso se esgota novamente. A única saída quando temos a situação de colapso é parar os casos na comunidade”. Afirma Suzana Lobo.