100 dias

Exclusivo: Ibrahim Zaher faz balanço de gestão e diz que prioridade é reaproximação com a população

Em entrevista exclusiva ao GazetaMT, presidente da Câmara avaliou momento político e ressaltou importância da união dos vereadores

por EDUARDO RAMOS E DENILSON PAREDES

09 de Abril de 2013, 08h38

Exclusivo: Ibrahim Zaher faz balanço de gestão e diz que prioridade é reaproximação com a população
Exclusivo: Ibrahim Zaher faz balanço de gestão e diz que prioridade é reaproximação com a população

Ibrahim Zaher (PSD) fez análise positiva e disse que Legislativo cobrará resultadosNesta quarta-feira (10) estaremos completando o 100 primeiros dias das gestões dos novos prefeitos e vereadores. A data terá um significado especial para o jovem Ibrahim Zaher (PSD), que fez sua estreia na política no ano passado e, eleito vereador, acabou escolhido para presidir o Poder Legislativo da segunda maior cidade de Mato Grosso. Ele assumiu o cargo com muitos desafios, entre eles ajustar a Câmara Municipal ao quadro de 21 vereadores (antes eram apenas 12) e, principalmente, resgatar a confiança da população.

Em conversa com a reportagem do Gazeta MT, Ibrahim Zaher fez uma análise das ações realizadas no período. Disse que as dificuldades administrativas estão sendo superadas gradativamente e destacou os avanços na área política. Ele falou também sobre questões polêmicas, como o passe-livre, redução de salários, a relação com o Executivo e o futuro dos atuais vereadores.

Veja a seguir os principais pontos da entrevista concedida com exclusividade ao site Gazeta MT.

Gazeta MT: Quais são os pontos que o senhor destaca na ação da Câmara de Rondonópolis nestes 100 primeiros dias do ano?
Ibrahim Zaher - Acho que a principal conquista foi a reaproximação com a sociedade. Também sinto que há uma integração muito grande entre os vereadores. Todos estão trabalhando em conjunto, sem vaidade, e isso é importante. Em termos de ações destaco os levantamentos e as cobranças que estão sendo feitas. O nosso próximo passo será exigir resultados. Não adianta fazer as visitas, ouvir a comunidade e constatar os problemas se não cobrarmos o cumprimento das compromissos que estão sendo feitos. Temos por exemplo essa questão das obras de canalização do córrego Canivete. Cobramos o serviço e recebemos a garantia de que as obras serão retomadas após o período de chuva. Então, findado o mês de março, vamos fazer nova cobrança e exigir o que foi prometido.

"A nossa intenção é facilitar o contato com a comunidade"Gazeta MT: As visitas organizadas pela Câmara às comunidades e obras fazem parte desse projeto de reaproximação com a sociedade?
IZ - Sim. Desde o começo o intuito nosso é aproximar a Câmara da Sociedade, não só nos momentos críticos. Por isso organizamos o projeto 'Câmara Itinerante'. Toda terça-feira os vereadores vão a um ponto da cidade para verificar 'in loco' questões que consideramos relevantes. Na semana passada, por exemplo, visitamos a Estação de Tratamento de Esgoto, antes visitamos conjuntos habitacionais que aguardam para serem entregues. Neste locais conversamos com a população, com os técnicos e colhemos subsídios para a atuação parlamentar. A nossa intenção é facilitar o contato com a comunidade e agilizar a solução dos problemas.

GazetaMT - E quais são as conclusões que vocês já têm sobre o que foi levantado neste período?
IZ - Hoje vemos que muitas obras que estão paradas por problemas com as empreiteiras, o que não deixa de ser um problema administrativo da gestão passada. Muitas empreiteiras alegam falta de recebimento, outras a gente percebe que não tiveram uma cobrança e as coisas foram sendo empurradas. A população sofre com isso e há também um desgaste da classe política. Infelizmente aqui em Rondonópolis temos um histórico de muitas obras iniciadas e poucas concluídas. Precisamos mudar isso.

Gazeta MT - Como é hoje a relação entre a Câmara e o Executivo municipal?
Temos um compromisso de dar sustentação ao prefeito. Há um entendimento entre os vereadores que o prefeito pegou a cidade numa situação muito ruim. Ele pegou a cidade com uma herança de dívidas e problemas e precisa adotar algumas medidas no sentido de melhorar a saúde financeira da município e quitar alguns débitos. Estamos trabalhando juntos com a intenção de realmente melhorar a cidade em todas as áreas e, nesse aspecto, muitas vezes teremos de assumir ações que ao olhar de algumas parcelas da população podem não ser positivas.

Gazeta MT - O senhor pode exemplificar isso?
IZ - Hoje a Prefeitura tem, por exemplo, um problema muito grande com os salários que são pagos. Alguns salários estão fora da realidade, são exorbitantes mesmo, e é preciso fazer algo para evitar um desajuste maior. Isso significa que o Executivo e a Câmara devem adotar algumas medidas referentes a plano de carreira de alguns funcionários; porém qualquer ação que se tome em relação a salários pode gerar polêmica. Outras vezes as medidas nem precisam passar pela Câmara, mas o Legislativo é a vidraça e o que o Executivo faz reverbera lá dentro. Veja por exemplo a questão do corte do auxílio de transporte aos professores de algumas escolas. Os servidores atingidos foram buscar sustentação lá com os vereadores. Nos reunimos com a secretária de Educação e tentamos fazer a mediação buscando a melhor solução. Tudo isso a gente vê que são falhas sucessivas das gestões passadas por parte do Executivo, que não foi adequando a situação a realidade do momento. Então ficou muita coisa acumulada e "É preciso agir para evitar prejuízos maiores no futuro"

GazetaMT - A volta das restrições à concessão do passe-livre também estão neste contexto?
IZ - Sem dúvida. Na verdade o fim das restrições foi até fruto de um projeto do meu pai (o ex- vereador e atual secretário municipal da Receita, Mohamed Zaher) no ano passado. Havia uma promessa do ex-prefeito José Carlos do Pátio de garantir o passe-livre para todos os estudantes e isso não era cumprido. Na época meu pai entrou com esse projeto de lei para que ele cumprisse a promessa, mas hoje a gente vê que a realidade não suporta isso. Já há um déficit e as projeções mostram que a situação pode se complicar muito se mantivermos essa emenda que autoriza qualquer estudante a utilizar o benefício. Na visão da Câmara foi necessário a aprovação do novo projeto até para não prejudicar quem precisa realmente do benefício do passe livre e também para não acarretar um aumento na passagem - que iria penalizar todos os usuários - de modo a arcar com o prejuízo que a empresa Cidade de Pedra e a Prefeitura teriam. Então, foi esse o entendimento. Com certeza não temos interesse nenhum em cortar benefícios para a classe estudantil. Eu como sou jovem e por ser uma emenda do meu pai não queria isso. Mas as explicações que a gente teve, os dados, os números comprovam que atualmente o município não tem saúde financeira para arcar com esse benefício na totalidade.

Gazeta MT - E dentro da Câmara, com é hoje a relação entre os vereadores? Há alguma dificuldade no diálogo entre os vereadores mais antigos e os que estão estreando nesta gestão?
IZ - Tenho sentido muita disposição por parte de todos os vereadores, não só dos recém-eleitos mas também dos que já estão lá há mais tempo. Aliás, sempre achei essa mistura entre os mais experientes e os mais novos para dar uma oxigenada, dar uma energia diferente ao Legislativo. Não vejo problema na relação com os vereadores e nem na condução adotada pela Mesa Diretora. Optamos por fazer uma gestão democrática. Nossas ações são discutidas com todos os vereadores e buscamos sempre o consenso. As divisões das comissões legislativas são uma prova disso. Fizemos tudo com absoluta transparência e a participação de todos. Isso tudo acaba favorecendo o diálogo e a união interna.

Gazeta MT - No passado a Câmara de Rondonópolis foi um espécie de 'celeiro' de lideranças políticas. Muitos vereadores que passaram por lá se tornaram depois deputados e até prefeitos. O senhor acredita que os atuais vereadores podem resgatar essa tradição?
IZ - Acho que "Quem entra na vida política sempre almeja alçar voos maiores", mas isso é decorrência do trabalho. Acredito que temos bons nomes, bons vereadores que podem se destacar no futuro. Acho que Rondonópolis e Mato Grosso devem passar por uma renovação política grande e nossos vereadores podem ser parte desta mudança.

Gazeta MT - O senhor pretende se candidatar a algum cargo nas eleições do ano que vem?
IZ - É bem provável que tenhamos no PSD um candidato a estadual e um federal na região. Mas isso vai depender do partido. O partido é que vai decidir se será eu ou outro companheiro. Temos bons nomes para representar a legenda e a região e, mais pra frente, vamos nos reunir para buscar o melhor entendimento. Eu estou nesse projeto, se a oportunidade surgir, se o partido achar que o meu é um bom nome e houver consenso, estarei a disposição. Mas é claro que, para isso, é preciso que a a população também aprove o trabalho trabalho que estamos realizando aqui. Se eu não conseguir dar a resposta dessa primeira eleição com um bom trabalho, não adianta ir só com a pretensão para uma candidatura. Portanto, é preciso ter trabalho e a aprovação da comunidade.

Gazeta MT - E qual é a mensagem que o senhor deixa para os rondonopolitanos nestes 100 primeiros de gestão?
IZ - A Câmara continuará trabalhando, buscando o melhor entendimento com a população, o melhor para a cidade de Rondonópolis. Fomos eleitos e sabemos da grande dificuldade que temos para tornar novamente Rondonópolis uma cidade próspera, bonita, limpa, com seus serviços públicos funcionando da forma que deve. Vamos trabalhar incansavelmente para que num curto período a população comece a ver os resultados, comece a sentir que realmente a aposta deles foi a aposta certa. Não tenham uma nova decepção.