ANTI-LULA
Passadas as Reformas, manobra em Brasília é pelo impedimento de eleição em 2018
09 de Maio de 2017, 09h18
Passadas as votações das Reformas Trabalhista e da Previdência pelas instâncias necessárias rumo à tão esperada sanção do presidente da República Michel Temer- PMDB, outro projeto promete ser apreciado com furor pela Câmara dos Deputados. Em verdade, já tem sido, graças ao presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia -DEM/RJ.
Maia autorizou a instalação de uma nova comissão para analisar a proposta anteriormente prevista no projeto de Reforma Política que prevê o fim da reeleição em todo o Brasil. Pelo novo sistema, os mandatos de cargos eletivos durariam por cinco anos sem reeleição, e a expectativa é impor a novidade já em 2018.
É o instável Poder dominante agindo, outra vez, no desespero. Tem sido assim desde formadas -à base de golpe político- as Casas. Caso cancelada a disputa eleitoral de 2018, detentores de mandatos ganhariam ao menos mais dois anos no poder, como o próprio presidente Temer. Aliado, o que Maia tenta com este projeto é impedir uma possível vitória de Lula na corrida à presidência no ano que vem.
O petista ex-presidente, ainda em maior de 2017, lidera as primeiras pesquisas. Habilidoso, tem sabido "enfurecer" a militância, amparado pela falta de moral da "direita golpista". É nesse tom o discurso que ganha corpo e assusta.
Lula segue sem adversário à altura. Pensar em Jair Bolsonaro -PSC/RJ como potencial político é ridículo, basta estudar. Pelo PSDB, também partido sem rumo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou a sugerir o atual prefeito de São Paulo, João Dória, a cara do "novo". Demagogo, midiático, de discurso fácil... Dória é apenas mais do mesmo tucano.
Ainda na corrida à República, também de Temer nada se espera. A imposição das Reformas com base em teses mentirosas lhe garantiram picos de rejeição. Apoiadores do impeachment já não erguem mais as panelas e os partidos, bancadas, tem sinalizado abandonar o barco do novo governo. A exemplo, o Solidariedade, partido do deputado federal Paulinho da Força, que atualmente adota o discurso do "não fui eu".
Na votação das reformas, ainda sobre elas, parlamentares do próprio PMDB votaram contra o governo. Medo da impopularidade, temor pela cobrança das ruas no ano que vem. Em resposta, Temer tem cumprido a promessa de punir, exonerando cargos de indicados pelos deputados e cuidando dos devidos boicotes aos que viraram a casaca.
De volta a Lula, que deverá prestar depoimento nesta semana ao juiz Sergio Moro, duas possibilidades: ou o midiático juiz, enfim mostra a que veio, ou o petista sairá vencedor (hoje e em 2018). Em 2006, tempos do mensalão, caso parecido ocorreu com o então, àquela época, herói do povo, ministro Joaquim Barbosa. Acabou sumindo, partindo às pressas rumo à Europa. Não foi à toa. No final, Lula e o PT seguiram tranquilos.
Em 2017, Moro é mais fraco que o Barbosa de 2006, e, consagrá-lo herói, é a mais pura mostra da carência popular. Sabendo disso, Brasília tenta manobrar.
Ironicamente, o projeto hoje defendido por Maia foi assinado pela ex-presidente Dilma Rousseff -PT no pacotão da Reforma Política, um dos pavios que culminaram na traição dos partidos. O mundo gira, política é igual.