A direção e sentido das mudanças?

por Miranda Muniz

09 de Junho de 2014, 07h39

A direção e sentido das mudanças?
A direção e sentido das mudanças?

Recentes pesquisas realizadas por diferentes institutos, apontam que cerca de 75% do eleitorado almejam mudanças. Isso bastou para a "oposição" ficar assanhada e começar a cantar vitória, logicamente, antes do tempo.

Essa euforia bisonha só justifica pela necessidade de se agarrar a alguma esperança, ante os índices sofríveis das intenções de votos dados aos candidatos da dita "oposição" ou por crasso erro político de avaliação do real significado e sentido das aspirações por mudanças da maioria do eleitorado.

O publicitário e responsável pela campanha da Presidenta Dilma, João Santana, durante seminário de comunicação do PCdoB realizado recentemente, identificou sabiamente esse sentimento de mudança: "Há um forte sentido consensual de que não se quer uma mudança de rumo. O que se quer é uma continuidade com mudança ou uma mudança com continuidade", e emendou: "Nosso foco é deixar claro o que foi o passado, mas ao travar a luta eleitoral, nossas armas devem ser o futuro e a esperança. Com foco em bandeiras caras para a sociedade como a reforma política".

A presidenta Dilma, durante seu na abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos/Suiça, em 24 de janeiro de 2014, ao referir-se às manifestações de junho de 2013, também acertou em identificar os reais motivos que levaram parcela significativa da sociedade ir às ruas: "criamos um imenso contingente de cidadãos com melhores condições de vida, maior acesso à informação e mais consciência de seus direitos. Um cidadão com novas esperanças, novos desejos e novas demandas... Os manifestantes não pediram a vida do passado, não pediram uma volta atrás. Pediram, sim, o avanço para um futuro de mais direitos, mais participação e mais conquistas sociais. Nós sabemos que democracia gera desejo de mais democracia. Inclusão social provoca expectativa de mais inclusão social. Qualidade de vida desperta anseio por mais qualidade de vida, por mais e melhores serviços."

Portanto, diferentemente do que apregoa o receituário neoliberal tão endeusado pelo tucanato, que defende a diminuição do Estado, a vontade expressa pelo eleitorado é por maior presença do Estado e pelo seu fortalecimento face às inúmeras deficiências que ainda persistem nos serviços públicos.

Os números apresentados pelo Instituto Data Folha (maio 2014), indicam com toda clareza qual o rumo e o sentido da mudança que a maioria do eleitorado quer: cerca de 50% consideram Lula e Dilma como os mais preparados para realizar as mudanças, contra 19% para Aécio Neves e 10% para Eduardo Campos. E mais: quase 60% dos pesquisados votariam com certeza ou estariam propensos a votar num candidato indicado pelo ex-presidente Lula.

Enquanto isso, o ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) o "Príncipe da Sorbonne", padrinho político do principal candidato oposicionista Aécio Neves, mesmo após 12 anos que deixou o poder, continua a ser o verdadeiro "Fantasma do Passado", pois 57% dos entrevistados não votariam em candidato apoiado por ele.

 

Assim, a grande maioria do eleitorado deseja seguir na mesma direção e sentido iniciado por Lula em 2003 e que teve continuidade com a presidenta Dilma. Querem mudar e seguir em frente, sem retroceder ao passado.

Portanto, para o sucesso eleitoral das forças democráticas e progressistas, com a conseqüente reeleição da presidenta Dilma, não basta apenas esclarecer sobre os "fantasmas do passado", fazendo a comparação entre os governos progressista de Lula e Dilma, e os governos tucanos.

É fundamental intensificar o diálogo com os partidos da base, com os movimentos sociais e com os setores democráticos da sociedade, a fim de elaborar uma plataforma avançada, contendo as proposições que apontam para mais inclusão social, melhorias dos serviços públicos (saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, etc), desenvolvimento com distribuição de renda, reformas estruturais (com destaque para a política democrática, urbana, democratização da mídia, tributária progressiva e agrária que elimine o latifúndio improdutivo) e outras conquistas civilizatórias que sejam capazes de renovar as esperanças e mobilizar a maior parcela do eleitorado ávido pelo aprofundamento das mudanças.  

*Miranda Muniz é agrônomo, bacharel em direito, oficial de justiça-avaliador federal, diretor de comunicação da CTB/MT - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e secretário sindical do PCdoB-MT