Do lado mais fraco
Ajuste fiscal deve, de novo, prejudicar os mais pobres
09 de Junho de 2015, 10h25
O ajuste fiscal proposto pelo Governo Federal, que prevê um corte de quase R$ 70 bilhões nos gastos e investimentos federais, como o pretexto de equilibrar as contas e evitar uma crise de grandes proporções, como quase sempre acontece na história brasileira, irá penalizar principalmente os mais pobres.
A tendência foi apontada por especialistas ligados aos movimentos populares em debate no último dia 12, no Senado Federal. De acordo com eles, os cortes no orçamento de setores como a Educação, reduzindo o acesso ao Financiamento Estudantil (Fies), dificultará principalmente o acesso de filhos da classe trabalhadora ao ensino superior, que não têm outra forma de pagar as altas mensalidades de universidades particulares.
Outro ponto que prejudica diretamente aos mais pobres são as medidas adotadas para dificultar o acesso a benefícios como o Auxílio Doença, Seguro Defeso e do Abono Salarial e da pensão por morte.
O Buxixo entende que há momentos em que um gestor responsável tem que tomar medidas duras e pouco populares, ou impopulares mesmo, para evitar que a economia vá por caminhos que prejudiquem a todos de forma mais duradoura, mas também entende que das várias maneiras possíveis de se economizar esse valor, o governo da presidente Dilma Rousseff escolheu o mais fácil e óbvio: tirar dos mais pobres, que têm menos poder de pressão sobre os políticos, em relação aos grandes empresários e empresas, todos financiadores de campanhas eleitorais.
Concordamos com a correção de rumo apontado pelo Governo, afinal um país com sua economia estável é bom para todos, mas os custos dessa correção poderia recair principalmente sobre os mais ricos, com a taxação das grandes fortunas e com o combate à sonegação fiscal, que equivale a cerca de 30% do valor arrecadado pelo governo, ultrapassando a marca de R$ 400 bilhões somente em 2014, valor muito acima do economizado com os cortes que prejudicam os mais pobres.
Haveria resistência, mas teria grande apoio popular essa iniciativa.
Como sonhar ainda é de graça, o Buxixo sonha com o dia em que os que puderem mais paguem mais nos momentos de crise...