PALIATIVOS

O desequilíbrio dos Decretos está matando empresas

por Redação

09 de Junho de 2020, 09h36

Foto: Messias Filho/GazetaMT
Foto: Messias Filho/GazetaMT

Em tempos de pandemia, talvez seja o maior desafio das gestões públicas encontrar o equilíbrio entre medidas de segurança e saúde e o lado financeiro. Rondonópolis se enquadra como exemplo. Exemplo de desequilíbrio, aliás, ocasionado por ações afoitas sob a caneta do prefeito José Carlos do Pátio, excludentes de setores importantes e tidas até como paliativas sob os mais diversos pontos de vista.

Explica-se: tomando como exemplo o mais recente Decreto Municipal estabelecido, que determinou o toque de recolher em todos os setores da economia às 22h30 nos dias se semana e o chamado lockdown aos sábados e domingos, fica evidente que falta sensibilidade por parte da administração municipal. Se, por um lado, a medida é cheia das boas intenções, por outro se mostra (e mostrou) absolutamente ineficiente. Pior, promoveu, no último fim de semana, a aglomeração de pessoas que abarrotaram supermercados, postos de gasolina e etc na última sexta-feira (5), sabendo do fechamento nos dias seguintes. Tapou o sol com peneira, como se diz.

Outro ponto grave: boa parte dos pequenos negócios não resistirá ao novo modelo. Há quem já se prepare para fechar as portas em definitivo, sem condições de arcar com as leis trabalhistas, salários e escala de funcionários para o turno da noite. A paralisação do comércio, por exemplo, ocorrida em maio (que durou apenas 11 dias), resultou em fechamento de empresas na região do centro. Esta nova, parcial, vem para derrubar outras tantas. Nem mesmo os incentivos federais e suspensão de alguns impostos tem superado a queda nos faturamentos. O cenário é o de desemprego crescendo.

Obviamente, tomar todas as precauções em atendimento às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) é fundamental para superarmos este momento de pandemia. Cabe à gestão Zé do Pátio, porém, se abrir mais ao diálogo. Representantes dos setores produtivos tem apresentado propostas na mesma medida em que tem sido ignorados pelo prefeito. “O Comitê é técnico, não cabe representantes dos setores”, disse Pátio em alto e bom som em uma reunião com representantes de 14 entidades que movimentam a economia local. E sim -opinião da coluna-, que seja técnico, mas que não fuja da realidade.

Um exemplo de proposta do empresariado se referia ao expediente em horário normal durante a semana, com trabalho escalonado, e horário diferenciado aos sábados e domingos para evitar a aglomeração de pessoas. A medida poderia ser implementada se somada a isso o aumento na fiscalização e penalização de quem a descumprir. Os setores pediram, também, mais rigor na fiscalização de festas clandestinas, reuniões de amigos e passeios em cachoeira, que, é sabido, tem ocorrido todos os finais de semana. Nada foi acatado pelo prefeito na referida reunião.

Ontem (8), a coluna recebeu um comunicado de uma empresa, cancelando todas as atividades programadas para o Dia dos Namorados. Chamou o mesmo de “nota de pesar”. Embaladas pelas quedas recentes contabilizadas no Natal de 2019 e Dia das Mães deste ano, outras deverão seguir o mesmo bonde. Em tempo: em nível de Brasil, a queda no faturamento deverá chegar a quase 40% segundo instituições especializadas neste dia 11 de junho.

O desequilíbrio da gestão pública está matando empresas. É preciso repensar o modelo em caráter urgente. É preciso se abrir ao diálogo, ouvir as propostas. Cada setor reconhece sua carga de responsabilidade neste momento e o “jeitão” centralizador do atual prefeito tem de ser deixado de lado. Uma coisa é certa: de tudo o que já foi feito, quase nada deu certo.