Deputado defende decisão judicial e cobra mais transparência sobre obra do VLT
Percival Muniz diz que, ao invés de contestar decisão, Governo precisa aproveitar o momento para esclarecer dúvidas sobre os investimentos
09 de Agosto de 2012, 06h51
O deputado Percival Muniz (PPS) defendeu nesta quarta-feira (08) a decisão da Justiça Federal que impede novas obras e mais gastos com a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), sistema escolhido como modelo de transporte público para a Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá. O deputado falou sobre o assunto em sessão oficial da Assembléia Legislativa e, diante dos colegas parlamentares, sugeriu que o governo do Estado aproveite a decisão para dar transparência a todo processo.
"Ao invés de ficar questionando a decisão do Juiz, aproveita para se fazer desse limão uma limonada, esclarecendo para a sociedade cuiabana e mato-grossense de uma vez por todas que está tudo certo com as obras de implantação do VLT na capital, que não há irregularidade".
Muniz recordou que no início das discussões o primeiro valor apresentado pelos técnicos para a implantação do VLT era de R$ 600 milhões, mas assim que houve a escolha o orçamento foi se "encorpando" até chegar ao atual de R$ 1,4 bi, ou seja, uma diferença de R$ 800 milhões.
"Daqui a pouco estaremos condenando o juiz. Ele deve ter seus motivos e deve saber o que está fazendo. O que é lei deve ser cumprido. Agora nada melhor do que o Poder Judiciário para dar o direito à ampla defesa e o governo terá o direito ao contraditório".
Endividamento
Outro ponto alertado pelo socialista é com relação à capacidade de endividamento do estado que já contraiu cerca de R$ 5 bilhões em empréstimo nos últimos anos com compras de maquinários, o programa Mato Grosso 100% Equipado e ainda o VLT, orçado em R$ 1,4 bilhão. "São empréstimos que irão onerar as contas do Estado", disse, destacando, ainda, todos empréstimos terão de ser pagos com juros e correção monetária, o que deve aumentar ainda mais o valor.
Muniz diz que não é contra o VLT, mas considera essencial que, caso tenha as respostas para todos os argumentos do MP, o Governo venha a público prestar os esclarecimentos - principalmente sobre a diferença de R$ 800 milhões no valor da obra.
"Este valor não é pequeno, com ele poderia se construir cinco hospitais regionais, mais cinco UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e amenizar o sofrimento da população", defendeu.