Em alerta

Membros da CPI dos Frigoríficos alertam pecuaristas sobre atraso na reestruturação da JBS

Um possível atraso na reestruturação societária e a percepção de obstáculos no refinanciamento da dívida são preocupantes

por GazetaMT

09 de Setembro de 2016, 16h07

Membros da CPI dos Frigoríficos alertam pecuaristas sobre atraso na reestruturação da JBS
Membros da CPI dos Frigoríficos alertam pecuaristas sobre atraso na reestruturação da JBS

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frigoríficos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que tem como presidente o deputado estadual Ondanir Bortolini (PSD), Nininho, alerta pecuaristas e investidores sobre o atraso na reestruturação da JBS. Conforme matéria veiculada no jornal Estadão (SP), a JBS terá dificuldade principalmente em refinanciar toda a dívida, que no segundo trimestre estava em R$49,2 bilhões. Leia matéria na íntegra:

 Um possível atraso na reestruturação societária da JBS e a percepção de obstáculos no refinanciamento da dívida da empresa são as principais preocupações do mercado em relação à JBS, após a operação Greenfield, que investiga “gestão temerária e fraudulenta” nos fundos de pensão estatais brasileiros. Apesar de não envolver a processadora de carnes diretamente, a investigação tem como alvo a Eldorado Celulose, empresa controlada pela mesma holding, a J&F.

Após a ação da companhia cair mais de 10% no pregão de segunda-feira e 1,7% nesta terça-feira, 6, bancos rebaixaram a recomendação da JBS e alertaram sobre os possíveis riscos que a envolvem. Conforme apurou o Broadcast, sistema de informação em tempo real do Grupo Estado, as investigações levantam temores sobre alterações no cronograma da reestruturação societária e a consequente abertura de capital da JBS Foods International na Bolsa de Nova York (Nyse). Esta mudança foi anunciada em maio, logo após a saída de Henrique Meirelles da presidência do conselho consultivo da J&F, para assumir o Ministério da Fazenda, no mesmo mês, e foi responsável por sustentar ganhos dos papéis.

Um possível atraso na reestruturação societária da JBS e a percepção de obstáculos no refinanciamento da dívida da empresa são as principais preocupações do mercado em relação à JBS, após a operação Greenfield, que investiga “gestão temerária e fraudulenta” nos fundos de pensão estatais brasileiros. Apesar de não envolver a processadora de carnes diretamente, a investigação tem como alvo a Eldorado Celulose, empresa controlada pela mesma holding, a J&F.

Após a ação da companhia cair mais de 10% no pregão de segunda-feira e 1,7% nesta terça-feira, 6, bancos rebaixaram a recomendação da JBS e alertaram sobre os possíveis riscos que a envolvem. Conforme apurou o Broadcast, sistema de informação em tempo real do Grupo Estado, as investigações levantam temores sobre alterações no cronograma da reestruturação societária e a consequente abertura de capital da JBS Foods International na Bolsa de Nova York (Nyse). Esta mudança foi anunciada em maio, logo após a saída de Henrique Meirelles da presidência do conselho consultivo da J&F, para assumir o Ministério da Fazenda, no mesmo mês, e foi responsável por sustentar ganhos dos papéis.

Atraso na reestruturação. Relatório do Bradesco BBI, assinado pelo analista Gabriel Lima, afirma que há a possibilidade de atraso do processo de reorganização da empresa.

A expectativa é de que o novo desenho fosse concluído até o quarto trimestre deste ano, com objetivo de melhorar a governança corporativa. “Admitimos que esta é uma bandeira vermelha para muitos investidores, mas achamos que o risco/recompensa é favorável”. O analista cita que a reorganização permitirá uma redução dos custos financeiros e estima que a taxa de desconto aplicada aos fluxos de caixa JBS poderia cair significativamente. Também em relatório, o Itaú BBA afirma que o desenrolar do caso pode alterar o cronograma da mudança societária. “Acreditamos que a reestruturação é um importante gatilho para a performance das ações”, diz.

A listagem da JBS Foods International foi o que sustentou os ganhos das ações recentemente, de acordo com o BTG Pactual. “Tememos, portanto, que este processo de listagem poderá sofrer atrasos se uma revisão geral de gerenciamento se revele necessária”, diz relatório.

Além da reestruturação, analistas citam a questão do endividamento da empresa. O Bradesco BBI afirma, em relatório, que a ação da Polícia Federal implica em uma percepção de aumento de risco do refinanciamento da dívida da companhia detida por bancos comerciais – R$ 18 bilhões de dívida de curto prazo a ser reconduzida para os próximos 12 meses.

A JBS encerrou o segundo trimestre com uma dívida líquida de R$ 49,2 bilhões. A alavancagem ficou em 4,1 vezes ao final de junho, acima dos 3,84 vezes no primeiro trimestre. A porcentagem da dívida de curto prazo em relação à dívida total ficou em 32% no período, dos quais 82% são linhas lastreadas às exportações das unidades brasileiras. Ao final do período, 91,4% da dívida era denominada em dólares.