Carnaval 2014
Comandante da PM diz que ainda não foi consultado sobre segurança no Carnaval
“Na verdade até o momento eu não fui comunicado oficialmente sobre a real localização da realização dos eventos carnavalescos deste ano"
18 de Fevereiro de 2014, 14h29
O Comandante do 4º Comando Regional da Polícia Militar de Rondonópolis, coronel PM Walter Silveira dos Santos esteve esta manhã em visita à
redação do site GazetaMT e após falar sobre diversos assuntos relacionados à segurança pública e o papel de cada um nesse contexto, o oficial revelou preocupação com a organização do Carnaval popular de Rondonópolis, que segundo disse, ainda não apresentou o projeto técnico de segurança à Polícia Militar para que esta faça o dimensionamento do efetivo que poderá ser empregado no(s) evento(s).
Silveira revelou à reportagem que 'oficialmente' não foi comunicado pela organização do(s) evento(s), que precisam apresentar com certa antecedência os projetos técnicos sobre informações estruturais, de atendimento de saúde (presença de ambulâncias para atendimentos de urgência), estruturas físicas, estratégias de controle de acesso e evacuação do interior dos eventos, planejamento estratégico e definição do número de seguranças privados entre outros cuidados.
"Na verdade até o momento eu não fui comunicado oficialmente sobre a real localização da realização dos eventos carnavalescos deste ano. Eu ainda não sei se vão fazer no antigo aeroporto ou em outro lugar. O problema, é que caso não seja comunicado e não tenha acesso ao projeto técnico de realização do evento, que ainda irá precisar de autorizações do município (alvarás), licenças e liberação do corpo de bombeiros, eu não poderei dimensionar o efetivo e me programar para o caso da necessidade de solicitar reforço de outro município, por exemplo".
O oficial ainda destaca: "Sem esse conhecimento prévio do projeto, eu não posso definir um planejamento estratégico de atuação dos meus homens durante o evento. E caso isso aconteça (de não ser comunicado), e não tenha condições de avaliar as condições de segurança do evento, eu terei por obrigação de ofício de comunicar ao Ministério Público e fazer uma recomendação para que interceda e faça o acompanhamento jurídico adotando as providências para a devida regularização da situação", externou.
"O que eu não posso é fazer de conta que não sei do problema, ficar omisso e acabar acontecendo alguma tragédia como a de Santa Maria no Rio Grande do Sul, e acabar sobrando para a Polícia Militar", exemplificou.
O comandante repassou que até entende a preocupação dos organizadores em visar o lado comercial do evento já que estão trabalhando e, é justo que tenham algum tipo de compensação. Mas, segundo ele, não se pode deixar de lado a questão da segurança das pessoas que vão prestigiar este evento. "É preciso que elas cheguem se divirtam e voltem para casa com a devida segurança".
Ainda conforme o oficial, cada órgão público ou privado envolvido na liberação/permissão, organização e realização do evento tem o seu papel de atuação muito bem definido nessas situações. É preciso que haja uma parceria e uma interação entre os parceiros, para que haja uniformidade nas ações e se chegue a um resultado positivo.
Para isso será necessária a presença do Conselho Tutelar, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Corpo de Bombeiros, Polícia Judiciária Civil, Secretaria de Transporte e Trânsito do Município (SETRAT), Prefeitura Municipal e Ministério Público.
TEMPO CURTO
O maior problema, nesse caso do Carnaval Popular, é o tempo exíguo para apresentação do referido projeto técnico exigido pelos organismos de segurança. Apenas para ter uma idéia, somente a PM precisa de no mínimo 72 horas para avaliar e definir o planejamento estratégico de ação para um evento dessa magnitude (presença aguardada de cerca de 15 a 20 mil pessoas/noite).
O corpo de Bombeiros, da mesma forma, precisa fazer a devida avaliação do projeto técnico e observação dos pré-requisitos estruturais de segurança. A Setrat por sua vez, precisa definir o esquema de segurança e controle dos acessos e saídas do evento entre outros cuidados.
Resumindo: seguindo essa premissa, o prazo limite para a apresentação da documentação deve ser até nesta sexta-feira (21). Portanto, fica o alerta do comandante aos organizadores do Carnaval para que se apressem e apresentem a documentação necessária aos organismos de segurança, para não correrem o risco de ter o evento interditado e até cancelado pela justiça.
Finalizando, o coronel Walter revelou que cidades como Guiratinga, Itiquira, Distrito de Ouro Branco do Sul (município de Itiquira), Alto Taquari e Alto Garças, já se organizaram e apresentaram os devidos projetos técnicos, estando liberados para realizarem seus eventos momescos este ano, pelo menos no que concerne à autorização da Polícia Militar.