CASO RODRIGO CLARO

Justiça nega pedido de Ledur para anular investigação da Polícia Civil sobre a morte do aluno

Estão marcadas para o dia 15 de abril a sessão para ouvir as testemunhas de defesa e o dia 16 para interrogar a ré.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

12 de Março de 2019, 08h28

Justiça nega pedido de Ledur para anular investigação da Polícia Civil sobre a morte do aluno
Justiça nega pedido de Ledur para anular investigação da Polícia Civil sobre a morte do aluno

O juiz Wladymir Perri da 11ª Vara Criminal de Cuiabá negou mais um pedido da defesa da tenente Izadora Ledur, para anular as investigações da Polícia Civil sobre a morte do aluno do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Claro.

A decisão foi publicada na última quarta-feira (06). Ledur foi acusada de práticas de tortura de culminaram na morte do aluno Rodrigo, durante a realização do 16° Curso de Formação de Oficiais do Corpo de Bombeiros, em novembro de 2016.

Na época, um inquérito policial foi instaurado apurar o caso que envolveu outros oficiais da corporação.

A defesa da tenente alegou no pedido que a competência de julgamento do processo, que tramitava em uma vara criminal comum, foi declinada para a Vara Militar.

Com isso, afirmam que o crime apurado é de natureza militar e a sua apuração não seria de competência da Polícia Civil, mas dos órgãos militares.

O magistrado esclareceu em sua decisão que embargos de declaração são admitidos quando houver ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão no julgado e erro, o que não foi o caso.

“Não se evidenciam omissões, tampouco contradições a serem sanadas. Ante o exposto, rejeito os embargos declaratórios opostos”, destaca Perri.

Com isso, o processo segue em andamento, tendo sua próxima audiência marcada para o dia 15 de abril onde serão ouvidas testemunhas de defesa e no dia 16 o interrogar a ré. 

O caso

Rodrigo Claro morreu no dia 15 de novembro de 2016 dias após ser submetido a diversos afogamentos durante a realização de um treinamento realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, na qual Ledur atuava como instrutora.

Além dela, outros cinco militares dos bombeiros foram denunciados no caso. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolvimento de atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios.

Com isso, Ledur utilizou de métodos reprováveis de tortura e intimidação, como forma de punir o jovem, nas práticas de exercícios.

“Os métodos abusivos praticados pela instrutora consistiram tanto de natureza física, por meio de caldos com afogamento, como de natureza mental utilizando ameaças de desligamento do curso”, como consta na denúncia.

Além do processo criminal a tenente foi alvo de investigação dentro da corporação, por meio de um Conselho de Justificação.