Covardia

"Não existe diálogo entre a reitoria e comunidade acadêmica", declara Adufmat após ato violento

Em coletiva, professores afirmaram que o ato de violência surgiu devido a falta de comunicação na comunidade escolar e repudiam a atitude

por YURI RAMIRES/ DE CUIABÁ

07 de Março de 2013, 14h20

"Não existe diálogo entre a reitoria e comunidade acadêmica", declara Adufmat após ato violento
"Não existe diálogo entre a reitoria e comunidade acadêmica", declara Adufmat após ato violento

Mesa posta na Adufmat em repúdio ao ato violento de ontem - Foto: Yuri Ramires/GazetaMT

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat) convocou uma coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (7) para repudiar o ato de violência que alguns estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) sofreram durante uma manifestação pacifica contra o fechamento da Casa dos Estudantes Universitários (CEU). 

O presidente da Associação, Carlos Roberto Sanches, afirmou que o acontecido é resultado de decisão imposta pela reitoria da UFMT, pois na instituição não existe mais diálogo com as entidades. "Estamos reunidos aqui para repudiar o ato de violência contra os nossos estudantes", afirmou. 

Seguindo o mesmo pensamento, o professor de Economia e membro da Associação, Lazaro Galino José, afirmou que a Polícia Militar só apareceu na manifestação após uma chamado de dentro da Universidade, ou seja, a própria retoria acionou a guarda. 

"Atitudes como essa servem para mostrar a sociedade que não existe mais diálogo dentro da UFMT, e isso vem prejudicando a democracia", afirmou o professor. Além de membros da Adufmat, estudantes e moradores do CEU também estiveram presentes, entre eles, os alunos que foram feridos e presos. 

Caiubi está com vários ferimentos no peito - Foto: Yuri RamiresComo é o caso de Caiubi Kuhn, morador e mestrando pela UFMT, que teve mais de 20 furos no peito resultados da ação dos policiais durante a manifestação. "Não intendo como isso acontece dentro da Universidade, que some e não quer discutir a moradia dos estudantes, que é um direito", afirmou.

Após ser atingido por balas de borracha, o estudante foi encaminhado ao Cisc Planalto, e relatou que ficou preso até a madrugada e segue sem dormir. Outra vítima da polícia foi a Coordenadora Geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Viviane Motta. Ela foi ferida na virilha e afirmou que o movimento estudantil não vai se calar. "O movimento não vai parar, muito pelo contrário, vamos continuar e estamos mais fortalecidos", disse.

Ela frisou que a atual administração da UFMT é ausente e não consegue manter um diálogo com a comunidade acadêmica. "Se os estudantes estão na rua, a culpa é de quem? A culpa é da administração que não senta para conversar e chegar a um acordo", afirmou. 

Estiveram presentes também representantes dos Direitos Humanos de Mato Grosso e da Ordem dos Advogados do Brasil em MT, que garantiram que nenhum estudante ficará sem o apoio das entidades. 

Ainda nesta quinta-feira, a assessoria de imprensa da Polícia Militar divulgou uma nota sobre o ocorrido, leia abaixo: 

NOTA DE ESCLARECIMENTO - Manifestação UFMT

Com relação ao ocorrido nesta data sobre ação policial em desocupação de via pública, esclarecemos:

1. Na tarde de 06/3/2013 ocorreu uma manifestação de estudantes da UFMT na área externa do campus de Cuiabá, na Av. Fernando Correa da Costa, com bloqueio daquela via pública e consequente impedimento do trânsito de veículos;

2. Com o isto a Reitoria da UFMT informou a PM do fato e solicitou providências;

3. A guarnição da Companhia de Polícia Militar do Boa Esperança, comandada pelo Cap PM Vieira esteve no local e iniciou conversações com os manifestantes para desocupação e desbloqueio da via, pois o local já estava bloqueado a mais de uma hora, com veículos de urgência retidos, fato agravado pelas obras do viaduto no local;

4. Após estas conversações os manifestantes presentes já haviam concordado em liberar a via, quando um novo grupo de manifestantes chegou ao local e manteve o bloqueio da via, com atitudes e ações agressivas contra a guarnição da PM, inclusive com arremessos de pedras e restos de obras contra os policias militares;

5. Com isso os policiais militares atuaram de forma legal e proporcional garantindo a ordem no local e a consequente liberação da via para que as pessoas retidas em seus veículos pudessem retornar ao seu ir e vir;

6. Houve uso de munição de elastomero não letal, para dispersar os manifestantes, sendo que 4 foram detidos, um socorrido com ferimentos leves e 2 policiais militares feridos;

7. Após essa ação a via pública foi liberada a população e a ordem local restaurada;

8. Havendo uso de munição de elastomero não letal, é determinação na PM já abrir Procedimento Administativo para avaliar a ação, o que já foi feito pelo Comando da Regional I de Cuiabá-MT;

9. Caso este Procedimento Administrativo apure qualquer desvio de conduta ou ação inadequada as providências legais serão adotadas pela Polícia.

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