Denúncia
Sispmur acusa direção do Impro de irregularidades e quer afastamento
Sindicato diz que opção por fundos de investimentos suspeito causou prejuízo milionário; assunto será discutido na assembléia desta quarta
18 de Novembro de 2014, 16h15
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (Sispmur) encaminhou notas à imprensa nesta terça-feira (18) acusando o diretor do Instituto Municipal de Previdência (Impro), Josemar Ramiro, de ter causado um prejuízo milionário à instituição com aplicações em fundos de investimentos sob suspeita. O sindicato também acusa Ramiro de ter mentido a categoria ao negar, em setembro do ano passado, qualquer envolvimento com Luciane Hoepers - pivô do escândalo que motivou a 'Operação Miquéias', realizada pela Polícia Federal. Ouvido pela reportagem do Gazeta MT o presidente do Impro reafirmou o que havia dito anteriormente, negou prejuízos e atribuiu as acusações do Sispmur a uma tentativa de manipular a categoria por causa das eleições da nova diretoria do Serv Saúde.
Nos textos encaminhados à imprensa (veja abaixo), o presidente do Sispmur, Rubens Paulo, afirma que as irregularidades agora denunciadas não têm relação com o processo 3501-82.2014.811.0003, ajuizado pelo Ministério Público na Primeira Vara da Fazenda Pública de Rondonópolis e ainda em trâmite. As 'novas' informações teriam sido descobertas por uma empresa de consultoria contratada para ministrar um curso aos servidores municipais.
"Os Servidores que participaram passaram a ter conhecimento de como funciona as aplicações/investimentos do IMPRO e, além disso no curso como se trata de informações públicas o Orientador/professor, mostrou a Carteira de Investimentos do IMPRO a todos, informações essas disponíveis no site do Ministério da Previdência, que causou muita indignação e revolta a todos os participantes", afirma a nota. "Foi aí descobriu-se, que o Diretor do IMPRO fez diversas aplicações/investimentos em "títulos podres", pertencente as empresas representadas pela loira LUCIANE HOERPERS".
O Sindicato questiona que, ao invés de concentrar os investimentos em bancos oficiais, a direção do Impro teria optado por aplicações em fundos privados que não teriam a mesma credibilidade e segurança. O montante investido somaria R$ 42 milhões de reais - quase a metade dos ativos do instituto, que hoje chegam a cerca de R$ 106 milhões.
"Cabe ressaltar que, não há garantia de resgate, visto que tais 'fundos sempre quebram', gerando enormes prejuízos aos seus investidores, neste caso um deles o IMPRO", acusa.
Afastamento
A direção do Sispmur questiona ainda o fato do Executivo Municipal não ter exigido o afastamento da direção do Impro diante das denúncias e antecipa que levará o assunto para a discussão na assembleia geral marcada para acontecer nesta quarta-feira (19).
"O sindicato reforça mais uma vez que todos servidores devem estar presentes na Assembléia desta quarta-feira (19). Os servidores terão a oportunidade de saber onde está o dinheiro do Instituto, e ressalta que já foram perdidos mais de 8.5000,00 (oito milhões e meio de reais) em bancos que já quebraram".
Veja abaixo a íntegra das notas encaminhadas à imprensa pelo Sispmur.
N O T A D E E S C L A R E C I M E N T O
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis - SISPMUR vem ao público esclarecer que:
O caso referente às Aplicações financeiras do IMPRO no fundo loira LUCIANE HOERPERS, não é o mesmo que originou o Processo número: 3501-82.2014.811.0003Código: 742334,em trâmite na Primeira Vara da Fazenda Pública de Rondonópolis, este processo refere-se a uma ação que O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL ajuizou.
AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA C/C PEDIDO LIMINAR DE INDISPONIBILIDADE DE BENS E QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO em face de JOSEMAR RAMIRO E SILVA, DIFERENCIAL CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, PEDRO LUIZ SZABO, LEONARDO PAES BORBA, NEILTON DE OLIVEIRA COSTA, ALBATROSS CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES S/A, FRANCISCO EUSÉBIO DE SOUZA, JOSÉ NONATO FREIRE DE SENA, OUROMINAS DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA - OM DTVM e JUAREZ DE OLIVEIRA E SILVA FILHO, sustentando, em síntese, que foi instaurado inquérito civil onde se apurou que o primeiro requerido, na condição de diretor executivo do Instituto Municipal de Previdência Social dos Servidores de Rondonópolis - IMPRO, comprou títulos públicos federais acima do preço de mercado (superfaturados) e vendeu-os abaixo do preço de mercado (subfaturados), em uma cadeia de negócios que se mostrou gravemente lesiva ao erário municipal, chegando ao prejuízo de R$ 2.557.758,54 (dois milhões, quinhentos e cinquenta e sete mil, setecentos e cinquenta e oito reais e cinquenta e quatro centavos), nos anos de 2008 e2009.
O que esta acontecendo agora, é a conduta mentirosa do Diretor do IMPRO, ao fazer esclarecimentos na Assembleia realizada no Canadá Country Club no dia 06/05/2014, bem como na imprensa local, onde ele afirmou que manteve contato com a loira LUCIANE HOERPERS, porém, que não havia feito nenhuma aplicação/investimentos em fundos oferecida por ela.
Todavia, o SISPMUR, após contratar uma empresa para ministrar curso para os Servidores Públicos, para a obtenção do CPA 10 - os Servidores que participaram do curso passaram a ter conhecimento de como funciona as aplicações/investimentos do IMPRO e, além disso no curso como se trata de informações públicas o Orientador/professor, mostrou a Carteira de Investimentos do IMPRO a todos, informações essas disponíveis no site do Ministério da Previdência, que causou muita indignação e revolta a todos os participantes, pois na Assembleia que pediu o afastamento do Diretor do IMPRO, a maioria lhe deu mais voto de confiança. Eis que, na ocasião não fora apresentado a Carteira de Investimentos e nem nunca foi colocada à público tal informação.
Foi aí descobriu-se, que o Diretor do IMPRO fez diversas aplicações/investimentos em "títulos podres", pertencente as empresas representada pela loira LUCIANE HOERPERS.
Com a ocultação de informações por parte dos gestores do IMPRO, aliada à falta de conhecimento de todos os Servidores no que se refere a aplicações financeiras desse tipo, fez com que a Assembleia não votasse pelo afastamento, até porque na ocasião só havia informações acerca do processo acima mencionado.
O que o Diretor do IMPRO tem que esclarece agora, é a forma mentirosa com que agiu quando falou a todos Servidores em Assembleia e a população de Rondonópolis por meio da imprensa local, que não aplicou "no fundo da loira LUCIANE HOERPERS".
São mais de 42 milhões de reais aplicados em fundos de longo prazo, que só pra resgatá-los, caso queira sair, tem que se esperar 5 (cinco) anos, e pagar uma multa de saída de 15% (quinze por cento), ou seja, se houver expectativa de lucro; só a multa consome todo lucro e parte do investimento.
Cabe ressaltar que, não há garantia de resgate, visto que tais "fundos sempre quebram", gerando enormes prejuízos aos seus investidores, neste caso um deles o IMPRO.
Pura falácia do Diretor do IMPRO, quando afirma que o TCE (Tribunal de Contas) aprovou as"suas contas", o que leva aos leigos a crerem que tudo está bem no Instituo; o que não verdade.
O escândalo da loira LUCIANE HOERPERS, no IMPRO não foi analisado pelo TCE e nem pela polícia ou Ministério Público.
O afastamento da Diretoria do IMPRO deveria ter sido decretado pelo Prefeito Municipal, pois a instauração de um processo, que teve inquérito policial emitido pela Polícia Federal, com informações de Auditores da Receita Federal, por si só é suficiente para afastá-los e instaurar um PAD, (processo Administrativo Disciplinar), só que o Administrador Municipal manteve se inerte.
Vale lembrar que, o afastamento e a instauração do PAD, não que dizer que todos sejam culpados, mas possibilita uma auditoria sem interferência na busca da verdade, a fim de elucidar os fatos.
Diante de tais informações esperamos que o Prefeito tome alguma providência urgente como o caso requer.
Ass: Sispmur
Estudo de Assessoria mostra que IMPRO investiu mais na BNY Mellon do que no Banco do Brasil
Dos R$ 100.829.214,51 investidos pelo IMPRO, até o mês de Julho, conforme o Demonstrativo que se encontra no site do Ministério da Previdência Social, 38% desses recursos encontra-se em Bancos Oficiais, sendo a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. 62%, encontram-se em Bancos, Assets e Corretoras, que possuem caráter privado e capacidade financeira bem menor, o que eleva o risco de crédito dos investimentos. Em resumo, o risco dessas instituições quebrarem é infinitamente maior do que de um Banco Oficial.
Somente o Banco do Brasil, possui investido 27% dos recursos do IMPRO, espalhados em 4 fundos de investimento, enquanto a Corretora BNY Mellon,Instituição que segundo investigações da Polícia Federal, faz parte de um esquema fraudulento, e tem como corretora Luciane Hoepers, o esquema ficou conhecido como o "fundo da Loira". Que era uma espécie de 'isca' para capitar recursos.
Em setembro do ano passado o presidente do Impro, Josemar Ramiro, negou qualquer relação entre o instituto e a máfia investigada pela Polícia Federal na 'Operação Miquéias'. O esquema se baseava na aplicação de recursos públicos ou previdenciários em fundos de investimentos fraudulentos. Portanto agora, ficou claro,que a Instituição que não oferece as mesmas seguranças do Banco do Brasil, possui mais de 29% dos recursos do IMPRO, espalhados em 10 fundos de investimentos.
Segundo notícias vinculadas nas revistas Exame e Valor Econômico, 33% dos recursos do fundo DIFERENCIAL RENDA FIXA LONGO PRAZO, Administrados pela BNY Mellon, estavam investidos em papéis dos bancos BVA e Cruzeiro do Sul, que foram liquidados pelo Banco Central. Com a quebra desses bancos, os investidores não receberão mais, suas aplicações. Mais de 8 Milhões e 500 mil reais dos recursos do IMPRO, encontram-se investidos nesse fundo de investimento.
Entre as Instituições que receberam recursos do IMPRO, os recursos encontram-se espalhados da seguinte forma:
Asset BNY Mellon:29% , Banco do Brasil: 27% , Asset BRL Trust: 18%, Caixa Econômica: 11%, Banco Petra: 4%, Banco Sicredi: 3%, Corretora Gradual: 1%, INX Adm e Gestora: 3%, Asset Oliveira Trust: 5%, Banco Votorantim, menos de 1%.