EMBRATUR
O cacique, o capitão e o jantar de R$ 290 mil
01 de Abril de 2019, 09h14
Um suposto jantar no valor de R$ 290 mil custou a cabeça de Teté Bezerra na presidência do Instituto Brasileiro do Turismo -Embratur. Deu-se a mais nova briga política. Conseguirá o cacique Carlos Bezerra fazer a caveira do presidente da República Jair Bolsonaro em Brasília ou Mato Grosso? Bem provável que não.
Por aqui, o caciquismo não tende a superar o conservadorismo direitista destas terras. São novos tempos. Certo ou errado, o argumento de Bolsonaro ao anunciar a exoneração de Teté caiu bem aos olhos da turma que outrora batia panela. É a personificação do "mito" dentro do mito - este sim, sem aspas, com sentido de ilusão- que o consolidou na campanha eleitoral.
Ao que tudo indica, Bolsonaro, mais uma vez, demonstrou não ter o mínimo conhecimento do que faz no governo ou as atribuições constitucionais dos Poderes da República. Escrachou publicamente, em uma live de Facebook, a então presidente de um órgão importante. Nada mais típico para o capitão que atua na presidência como um adolescente em uma lan house.
Para piorar, há quem garanta que a bronca maior do capitão da reserva foi o tal convite ao cantor Alceu Valença. Outro artista "esquerdista", na visão do homem. Nem mesmo o valor mencionado o teria enfurecido tanto. Pelo a ou pelo b, o que se viu foi uma mostra ignorante de governança.
A favor de Bolsonaro, entretanto, está o pensamento coletivo. A imbecilidade está na moda e o presidente por ela surfa. Tem consigo os olhos atentos à caneta Bic e à pirata camisa puída de time de futebol em detrimento à falta de ação, plano de governo, capacidade técnica e ao retrocesso intelectual. Às vésperas de 100 dias de governo, esta coluna crava que são estes os piores tempos recentes da pátria. A esta altura, quem nos lê também acusa: "esquerdista".
De volta aos 'Bezerras', justamente este pensamento coletivo que minará qualquer tentativa do cacique em agir contra o capitão. O deputado deu entrevistas, Teté emitiu uma longa carta. Ambos munidos de argumentos que, bem da verdade, pouco importaram na celeuma.
Nos bastidores e nas entrevistas aos jornais o discurso contra Bolsonaro pode colar. Já o efeito prático, nas ruas, será mínimo. Passados tantos anos, a imagem de coronel dono da política de Mato Grosso não ajuda o deputado federal.
O mesmo se diz em Brasília. Uma dita renovada bancada mato-grossense empolga mais este eleitorado que o tato obsoleto. Não à toa, os dois parlamentares mais bem votados em 2018 conseguiram tal feito justamente por pegar carona na onda que elegeu o presidente. Um é marinheiro de primeira viagem cujo currículo é de um blogueiro conspirador, o outro é ex-senador tampão que mendigou como pode holofote e foto ao lado do "mito".
Perdeu espaço o cacique, perdeu cadeira Teté. "Bombou" nas redes o capitão.