Entrevista
Ademir Brunetto (PT) pede apoio da sociedade para garantir apuração de denúncias pela ALMT
Em entrevista nesta quinta-feira, o parlamentar falou sobre vários assuntos e revelou que é alvo de perseguição do Governo e até do PT.
13 de Junho de 2013, 17h24
O deputado Ademir Brunetto (PT) disse hoje que continuará lutando para garantir a abertura de uma Comissão Especial na Assembleia Legislativa para apurar a responsabilidade pela perda de cerca de um milhão de reais em medicamentos da Farmácia de Alto Custo em Cuiabá. Em entrevista concedida por telefone ao apresentador Agnelo Corbelino, da rádio 105 FM, e ao jornalista Eduardo Ramos, do Gazeta MT, o parlamentar falou também sobre as OSS, da polêmica com o secretário de Indústria, Comércio e Minas e Energia, Allan Zanata, envolvendo incentivos fiscais, e revelou que tem recebido pressões do Governo e também do Partido dos Trabalhadores por causa de sua atuação na ALMT.
Segundo Brunetto, a primeira tentativa de abrir uma investigação parlamentar sobre os medicamentos vencidos foi barrada por uma manobra coordenada pelo PSD, com o apoio dos deputados do PMDB e do PR. Ele disse que há suspeitas de que os medicamentos foram superfaturados e adquiridos numa licitação dirigida com o objetivo de angariar fundos para campanhas eleitorais. Diferente do que afirmam a maioria dos deputados, Brunetto considera que o Governo do Estado 'não tem moral' para se auto auditar e prestar contas à sociedade.
"Quero fazer justiça informando que o deputado J. Barreto, que é de Rondonópolis, foi o único da região a apoiar a abertura da investigação, mas o apoio foi insuficiente. Vou continuar lutando, esperneando e reclamando para ver se a pressão da população e da imprensa faça com que mais alguns parlamentares se somem a esse projeto de garantir uma investigação profunda e esclarecedora", afirmou.
Drenagem de recursos
Ademir Brunetto também não poupou críticas às Organizações Sociais que assumiram as gestões de alguns hospitais no Estado. Destacando as reclamações feitas por usuários dos hospitais regionais de Alta Floresta, Colíder e Sorriso, ele classificou as OS como um instrumento de drenagem de recursos públicos.
"Elas (OS) têm um aporte muito superior ao que era oferecido anteriormente aos municípios e consórcios que administravam os hospitais regionais. Apesar disso, os serviços de alta complexidade foram reduzidos, as pessoas estão satisfeitas e muitas vezes buscam a polícia e a Justiça para resolver questões envolvendo a Saúde", ressaltou.
O parlamentar cobrou que a Assembleia Legislativa aprecie o projeto de iniciativa popular que propõe o afastamento das OS. O projeto recebeu 27 mil assinaturas e, segundo Brunetto, pode ser arquivado se não houver uma forte pressão popular.
"Não será a Assembleia que mudará isso. Os partidos são muito comprometidos com o Governo do Estado, que já se manifestou pela manutenção das OS. Se não houver manifestação da sociedade, não acredito que esse projeto de iniciativa popular irá prosperar", alertou.
Embate e pressões
Durante a entrevista Ademir Brunetto falou também sobre o embate travado com o secretário estadual de Indústria, Comércio e Minas e Energia, Alan Zanatta, por causa da tentativa de conceder benefícios fiscais ao grupo Havan. O secretário foi novamente acusado de fraudar documentos para distorcer as normas do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic), criado para estimular novos investimentos através de incentivos fiscais.
"A desoneração de 3% proposta por ele ao grupo Havan representaria na ponta algo em torno de 6%, gerando um prejuízo de R$ 50 milhões de reais por ano aos cofres públicos e uma concorrência injusta aos comerciantes já instalados no Estado. O governador entendeu que eu tinha razão e mandou o secretário ficar quieto, impedindo a concessão dos benefícios. A Havan é um grupo grande e bem vindo em Mato Grosso, mas sem privilégios", afirmou.
O deputado informou que fez uma representação contra o secretário Alan Zanatta e sugeriu que a insistência em conceder os incentivos tenha sido motivada por interesses escusos. "Tinha coelho nesse mato. Denunciei e conseguimos barrar essa sacanagem que o secretário Zanatta propunha para o tesouro do Estado", alfinetou.
Em outro ponto da entrevista, Ademir Brunetto disse que sua atuação tem incomodado setores do Governo e do próprio Partido dos Trabalhadores, gerando retaliações. Porém, ele afirma que manterá a postura combativa e pediu o apoio da sociedade.
"Tenho sido perseguido pelo governo e pelo partido, que é da base aliada e considera que eu estou me rebelando. Mas, mesmo sendo vítima do isolamento, não posso abrir mão da minha prerrogativa parlamentar de denunciar as coisas que estão erradas. Peço que Deus me abençoe e que o povo olhe por mim para que a gente possa manter o espírito em alta e cumprir o nosso papel", finalizou.