NOVA ERA

Produtores já comemoram fundação do Instituto da Carne em Mato Grosso

Para especialistas expectativa é de abertura do mercado, valorização e desenvolvimento

por Robson Morais

11 de Março de 2016, 11h12

Produtores já comemoram fundação do Instituto da Carne em Mato Grosso
Produtores já comemoram fundação do Instituto da Carne em Mato Grosso

Governador Pedro Taques durante lançamento do 'Selo da Carne' Foto - Página oficial

"Lançado hoje, o selo Carne de Mato Grosso, é um produto do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), que passa a ser o sexto instituto deste segmento no mundo...".

A declaração acima, em tom de comemoração e acompanhada pelo título 'Tá favorável', foi dada no dia 2 de março pelo Governador do Estado, Pedro Taques, em seu perfil oficial numa rede social. Ela marca oficialmente o lançamento do selo que atesta a qualidade da carne de Mato Grosso  e sua maior valorização ante os mercados interno e externo. Há aproximadamente 60 dias de ir à prática está, ainda, o Instituto Mato-grossense da Carne, Imac, que já impulsiona as expectativas de produtores e projeta, a médio prazo, desenvolvimento -em especial o tecnológico-, em sua amplitude.

O entusiasmo é legítimo e Mato Grosso já começa fazendo história. O Estado que possui o maior rebanho do Brasil (aproximadamente 29,2 milhões de animais) é também o pioneiro numa iniciativa que padroniza, fiscaliza e eleva a qualidade de seu produto. A partir do selo, inicia-se um novo momento em nossa pecuária. Promissor, o Imac é quem tende a garantir tal eficiência.

A pensar em toda a cadeia produtiva, que se inicia porteira a dentro com destino ao consumidor final, especialistas defendem que os ganhos comtemplarão todas as esferas deste processo. Já em resposta a um dos primeiros questionamentos feitos a partir do lançamento do selo, não haverá -ao menos segundo as projeções- aumento do custo da carne que chega à mesa. "A ideia principal da iniciativa está na padronização. Hoje o consumidor compra, muitas vezes, uma carne cuja procedência nem mesmo o comerciante conhece. O que muda agora é que se eleva o nível de organização e principalmente o de qualidade do produto. Carne de excelência, dentro do preço já existente", explica Marco Tulio Duarte, presidente da Associação dos Criadores do Sul do Estado.


Marco Tulio Duarte, presidente da Criasul: “O que muda agora é que se eleva o nível de organização e principalmente o de qualidade do produto” Foto – Wagner Montanari/GazetaMTÀ reportagem, Tulio, que também é produtor e empresário do ramo, contextualiza o processo de produção e a busca pela qualidade da carne de Mato Grosso na última década, realidade que agora tende a mudar em ritmo mais acelerado. Em caminhada produtores esbarravam, principalmente, no retorno financeiro. "Há dez anos, investi em tecnologia no processo de criação para a produção de carne, buscando colocar no mercado animais mais precocemente, que iam ao abate já entre 13 e 14 meses. O problema é que na hora da venda deste produto não havia uma valorização maior se comparado ao preço pago pelos animais que passaram pelos processos normais de produção, como a recria e engorda", conta. É junto aos produtores, Governo do Estado e Frigoríficos, que o Imac buscará, definitivamente, reparar os danos.

Atribuições

De iniciativa do Governo do Estado, o Imac será composto por um Conselho formado por um representante do órgão público, dois do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos de Mato Groso (Sindifrigo) e dois da Associação de Criadores do Estado (Acrimat). Os nomes a serem escolhidos devem ser anunciados ainda neste mês, dando início ao processo de busca pela adequação da carne do Estado aos padrões internacionais de qualidade.

O modelo adotado no Brasil foi possível após uma avaliação junto ao Instituto semelhante instalado no Uruguai há aproximadamente 40 anos. Suas atribuições são promover a carne de Mato Grosso e definir critérios para tipificação, buscando articulação junto a setores públicos e privados (nacionais e internacionais) para a elaboração de parcerias e projetos que impulsionem a melhoria do produto. Também irá desenvolver pesquisas e atividades no ramo da tecnologia, pesquisas de mercado e fomento à rastreabilidade da carne. O instituto contará com o Sistema Eletrônico de Informação das Indústrias de Carne (Seiic).


Fábio da Silva, gerente de projetos da Acrimat, sobre a qualidade da carne: “Há aspectos em que o Brasil supera os demais países”.  Foto – Wagner Montanari/GazetaMTSobre os padrões aos quais se busca elevar o produto mato-grossense, são levados em conta os seguintes aspectos, como explica Fábio da Silva, gerente de projetos e  zootecnista da Acrimat: "O primeiro deles é o sensorial, que mede a textura, odor e suculência da carne, seguido dos demais como o tecnológico, o nutricional, o sanitário (ausência de resíduos), ético (bem estar animal) e ambiental. Entender estes aspectos é fundamental para medir nossa qualidade". Quanto ao patamar atual da carne bovina no Estado, ele diz: "Dentro dos padrões internacionais exigidos, principalmente quanto ao sensorial, estamos um passo atrás. Por outro lado, há aspectos em que o Brasil supera os demais".

 Fator genético

Segundo o especialista, isso ocorre porque os estrangeiros tradicionalmente criam raças de bovinos cuja carne é mais suculenta e possuem na genética vantagem sensorial, como o Angus. Em Mato Grosso a tradição (hoje equivalente a 90% do que se cria) é oriundo da raça Nelore, de carne um pouco mais dura. "Neste sentido, temos avançado, com estudos e cruzamentos com as raças de fora, o quem tem melhorado também nosso produto" diz Silva.

Futuro

É por meio dos estudos que o produto de Mato Grosso tem evoluído ainda mais. Também por eles, será possível a maior valorização da carne que é exportada, bem como preço mais justo ante o mercado brasileiro. "Por parte deles (os produtores), todos estão entusiasmados com a possibilidade de elevação do nosso produto" conta Silva. "Quem investe mais em tecnologia e qualidade deve receber mais por isso. Junto aos frigoríficos, a questão das balanças também será revista, além de outra medidas voltadas a quem produz", complementa Tulio.