OPERAÇÃO MANTUS
Mesmo após prisão, Arcanjo não deixou liderança do jogo do bicho em MT
O esquema de jogatina comandado pelo bicheiro, acontece no Estado há pelo menos 30 anos.
29 de Maio de 2019, 12h32
O delegado da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz), Luiz Henrique Damasceno, revelou na manhã desta quarta-feira (29), que o mesmo com a prisão de João Arcanjo Ribeiro, em 2003, ele nunca deixou de ocupar uma posição de destaque no esquema do jogo do bicho, em Mato Grosso.
Arcanjo que ficou preso por 15 anos, apenas transferiu o comando para seu genro Giovanni Zem Rodrigues. Acredita-se que a jogatina liderada por ele acontece no Estado há pelo menos 30 anos.
“O Giovanni era o líder da organização quando o Arcanjo estava preso. Quando o Arcanjo saiu da prisão, ele retomou o poder ao lado do genro”, acrescentou delegado.
O esquema foi alvo da operação Mantus deflagrada pela Defaz juntamente com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), na manhã desta quarta-feira (29), onde 63 mandados foram cumpridos.
Além do grupo Colibri comandado pelo ex-bicheiro, a operação também desmantelou o esquema de jogatina liderado pelo empresário Frederico Muller Coutinho. Ele tinha como empresa a Elo, o qual era utilizada, também, para a lavagem do dinheiro.
As investigações apontaram que em apenas um ano, as duas organizações criminosas movimentaram a quantia de R$ 20 milhões no Estado.
“É claro que muita coisa movimentava em dinheiro vivo. O jogo do bicho faz recolhimento do dinheiro todos dias. Então esse não é o valor exato", disse delegado.
Disputa de território
Damasceno chegou a acrescentar que as duas organizações criminosas tinham uma disputa acirrada para comandar as jogatinas no Estado.
"Nós temos duas organizações que brigavam entre elas. As disputas eram tão acirradas que elas adotavam de todas as formas, como ameaças, disparos de arma de fogo, extorsão mediante sequestro, para eliminar a concorrência", explicou o delegado.
Uma situação de ameaça se mediante sequestro chegou a ser registrada pela Polícia Civil na cidade de Juara, onde um dos membros da organização concorrente de Arcanjo, assim que chegou na cidade para implantar o esquema da jogatina, foi sequestrado e obrigado a se retirar da cidade.
"Neste caso a vítima estava representado a empresa liderada por Muller, onde dois homens do Arcanjo o sequestraram, exigiram que ele entregasse as maquininhas dos jogos, para que assim fosse liberado. Antes de ser solto, a vítima ainda foi orientada a não voltar na cidade para implantar a concorrência", acrescentou delegado.
A operação
63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar foram cumpridos na manhã desta quarta-feira.
As ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e em mais 5 cidades do interior do Estado e expedidas pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.
Giovanni Zem Rodrigues foi preso pela Polícia Federal (PF) ao desembarcando no aeroporto de Guarulhos (SP). As investigações iniciaram em agosto de 2017, após a polícia receber denúncias sobre a contravenção penal denominada “Jogo do Bicho”.
Foram decretados os bloqueios de contas e investimentos em nome dos investigados, bem como houve o sequestro de ao menos três prédios vinculados aos crimes investigados.
Os suspeitos vão responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.
O nome Mantus: Na mitologia etrusca, Manto (em latim: Mantus) é o deus do mundo dos mortos no vale do rio Pó. Manto também é conhecido como o Deus do azar, onde chamava atenção de suas vítimas através de jogos, roubando assim suas almas.
Delator da Sodoma
O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa.
Conforme as investigações da operação, Müller participava do esquema de corrupção, que desviou cerca de R$ 1 bilhão dos cofres do Estado, trocando cheques, que repassava para o braço direito do ex-governador Silval Barbosa, o chefe de gabinete, Silvio Correa.
A factoring de Frederico foi usada para lavar R$ 500 mil em propina, destinadas ao procurador aposentando Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, conhecido como Chico Lima.