repercussão
Vereadores repercutem prisões feitas pela PF e dizem apoiar Operação Ararath
A operação investiga desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro por meio de instituição financeira clandestina
29 de Maio de 2014, 12h04
Os vereadores rondonopolitanos foram ouvidos pela reportagem do site GazetaMT para repercutirem as prisões de políticos e empresários efetuadas pela Polícia Federal (PF), em decorrência da quinta etapa da Operação Ararath, que investiga desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro por meio de instituição financeira clandestina. Vários políticos tem seu nome citados, como o ex-governador e hoje senador Blairo Maggi (PR), e outros, como o ex-secretário de estado Eder Moraes e o deputado e presidente afastado da Assembleia Legislativa, José Riva (PSD), chegaram a ser presos pela PF.
Para o vereador Mauro Campos (PT), a Operação Ararath pode provocar mudanças profundas no quadro político do estado, aposentando muitos políticos 'endinheirados'. "Na verdade, essa operação da PF altera muito a nossa política, principalmente para os políticos do estado que não têm condições de investir o mesmo nível de estrutura financeira (nas campanhas eleitorais) que esse grupo que está aí. O poder econômico sofreu um duro golpe por parte da Polícia Federal", avaliou.
Ainda no entender de Campos, a ação da PF foi elogiável e ele não vê nenhum prejuízo para o seu partido, o PT. "Eu vejo a atuação da PF como um bom trabalho, tentando trazer a transparência para a vida pública, investigando, apurando e prendendo aqueles que de fato tem desviado dinheiro público. Isso é tudo muito bom. A presidente Dilma Rousseff tem dado autonomia à PF para prender quem desvia dinheiro público, independente de quem seja. O dinheiro público tem que retornar para a população na forma de segurança, saúde, educação", pontuou.
Outro que se mostrou indignado com o envolvimento dos políticos mato-grossenses nos casos de corrupção apuradas pela PF foi o vereador Jailton do Pesque Pague (PDT), que elogiou a ação da PF. "Eu vejo isso tudo com muita tristeza, esse mar de lama no nosso estado. Isso pode levar a mudanças no nosso cenário político, mas isso depende fundamentalmente das pessoas. Nós temos eleição nesse ano e é o momento das pessoas mostrarem que não concordam com essas coisas e votar em políticos que não estejam envolvidos em desvio de dinheiro público. Se não a conter isso, nada muda", pontuou.
"Não podemos conviver com esse mar de lama. Aqueles que devem têm que pagar, a PF tem que prender mesmo. Mas nós temos que dar as respostas nas urnas, pois esse é o momento de mudar o nosso estado e o País. Hoje, uma pessoa que tenha só a capacidade de ser um bom político, um bom gestor, se não tiver muito dinheiro não consegue se eleger, pois as pessoas preferem ter preço que ter valores. A PF trabalha sucateada, por amor mesmo, e é motivo de orgulho para nós o seu trabalho no combate à corrupção", afirmou Jailton.
As palavras de Jailton são reforçadas pelo também vereador Hélio Pichioni (PR), que é do mesmo partido do senador Blairo Maggi, apontado como um dos 'cabeças' do esquema de desvio de dinheiro público. "Se realmente se comprovarem as denúncias, eu acho que muda tudo, pois essa operação demonstrou que só se ganha eleição na base do dinheiro. Por que nós, que não temos dinheiro para fazer campanha, não saímos nem candidatos. Isso comprova que é por isso que os deputados sempre ganham a eleição e a composição da Assembleia (Legislativa) muda muito pouco. Por isso eu gostaria que um dia fosse proibido gastar dinheiro em campanha", defendeu.
Pichioni reconhece que a imagem de s eu partido e de seu líder maior ficam manchadas após a operação, mas também defendeu a ação a PF. "Prejudica demais o meu partido, mas eu não acredito que o ex-governador Blairo Maggi tenha se beneficiado pessoalmente com esse dinheiro, mas a Justiça tem que ir atrás mesmo. Quanto à PF, quando ela vem, ela vem com tudo, calçada. Ela não vai na casa do governador por conta de um revólver sem licença. Nós temos que mudar, a sociedade tem que participar mais da política, das campanhas eleitorais. Nossa sociedade está demorando para entender que a política é tudo, que através dela se muda tudo e que nós não podemos viver sem ela", concluiu.
Já o líder do PSD, o vereador Milton Mutum, que é companheiro de partido do deputado José Riva, preso na operação, também disse entender o fato como positivo para a sociedade, mas foi mais cauteloso e pediu cuidado na hora de divulgar fatos ainda não completamente elucidados. "Nós estamos vendo um monte de denúncias, autoridades presas e levadas á força para prestarem depoimento. Eu, como cidadão de Mato Grosso e vereador de Rondonópolis, quero que essas coisas sejam todas apuradas e quem dever tem que pagar, até para evitar que isso volte a se repetir no futuro. Eu defendo a apuração, doa a quem doer e que as consequências caiam sobre aqueles que têm culpa", alfinetou.
"Ainda é cedo para avaliar as mudanças no quadro político de forma mais profunda, pois precisamos ver os desdobramentos das ações, se vão acontecer condenações mesmo. Novas lideranças sempre surgem e vão ocupando os espaços, conforme eles surgem. O que não pode é a população aceitar essa bandalheira toda. Tem um membro do nosso partido que foi preso, mas cada ser humano é responsável pelos seus atos e ele vai ter que arcar com as consequências dos dele. A PF tem o respeito da população, mas acho que determinados operações não precisava de tanto espalhafato, mas ele tem o meu apreço e da sociedade em geral", finalizou Mutum.