REPORTAGEM ESPECIAL II

Enfermeira destaca falta de procura das mães em casos de microcefalia nas unidades de Rondonópolis

Profissionais agora tentam “buscativas” para averiguar confirmação dos casos

por Robson Morais

22 de Junho de 2016, 07h29

Enfermeira destaca falta de procura das mães em casos de microcefalia nas unidades de Rondonópolis
Enfermeira destaca falta de procura das mães em casos de microcefalia nas unidades de Rondonópolis

Os médicos aqui estavam atentos quando começaram a surgir os casos em Pernambuco e  já começaram a se preparar e acionar a Vigilância Epidemiológica, disse Ana Maria Lino . Foto - Luan Dourado/GazetaMTAna Maria Lino é enfermeira, gerente do Programa de Saúde da Mulher na rede municipal de Saúde. Ao GazetaMT, a servidora ressaltou a falta de procura das mães às unidades de Saúde de Rondonópolis em casos suspeitos de microcefalia. Dos 99 notificados pela Santa Casa do município, 50 já foram descartados.

Lino atendeu a reportagem durante visita ao Serviço de Atenção Especializada (SAE), ocasião em que foi conhecida a história de Lidinéia Nabor e a pequena Fernanda, publicada ontem (21) pelo GazetaMT. Mãe e filha seguem atendidas, ainda que com limitações, nos órgãos públicos.

Limitações por conta da falta de exames e profissionais especialistas que atendam pelo Sistema Único de Saúde, como conta a enfermeira Ana Maria Lino. "Não encontramos profissionais que queiram prestar o serviço pelo SUS, e é esta a tabela que a gente pode pagar", explica. Rondonópolis não conta, por exemplo, com atendimento gratuito de neuropediatra ou profissional que cuide de sedação das crianças.

Dispõe, entretanto, de atendimentos e programas específicos de acompanhamento. Na Unidade Nilmo Júnior, serviços de fisioterapia e fonoaudiologia são oferecidos aos bebês notificados ou sob acompanhamento. No SAE, a médica pediatra intermedia o parecer que possibilita à mãe o direito ao benefício Federal de assistência, hoje de responsabilidade de gestão dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

Lino destaca, ainda, mobilização dos profissionais da Saúde antes mesmo da chegada dos casos ao município. "(Na época) Rondonópolis saiu na frente e temos orgulho disso. Os médicos aqui estavam atentos quando começaram a surgir os casos em Pernambuco e  já começaram a se preparar e acionar a Vigilância Epidemiológica. Aqui haviam casos ainda raros de microcefalia", lembra. Tal preparação, completa, viabilizou o ambulatório e as atividades específicas para microcefalia custeadas pelo próprio município. "Tínhamos um planejamento dentro da Saúde, pois prestamos contas. De repente a microcefalia exigiu de nós uma mudança no cronograma e isso não é tão simples".

"Buscativas"

A principal dificuldade do Poder Público Municipal em atendimento e confirmação dos casos de microcefalia, na avaliação de Lino, porém, não compete somente ao estrutural. Chegar até as mães tem sido um desafio.

As chamadas "buscativas" começam a funcionar em Rondonópolis. Profissionais da saúde visitam bairros estratégicos e realizam agendamentos juntos às mães graças às notificações que partem da Santa Casa logo após o nascimento da crianças. Com o levantamento em mãos, o Poder Público espera sanar e definir os números de casos confirmados e descartados de microcefalia em Rondonópolis.

Os resultados da ação, porém, ainda não são dos mais animadores, como explica Lino. "Infelizmente as buscativas não tem dado tanto resultado porque muitas mães se negam a aceitar que o filho possa ter microcefalia. Elas não procuram as unidades de saúde, nem assistência social. Nosso último atendimento aconteceu no bairro Nossa Senhora Amparo e das 10 mães agendadas somente 3 apareceram".  

A enfermeira lembra, ainda, a importância da avaliação médica e o acompanhamento junto aos recém nascidos. "É preciso que a criança passe pelo médico pra que confirme ou não a microcefalia, ou qualquer outra alteração por conta do zika.  Avaliação neurológica e exames são fundamentais". O serviços são gratuitos e as mães precisam superar o que os profissionais classificam como fase de negação da doença.

Serviço

O SAE de Rondonópolis fica na Rua Frei Servácio, s/n, esquina com a Rua Pedro Guimarães, bairro Santa Cruz. Mais informações 3411-5077.