5 de Jan. de 2017 às 10:47

Ao GazetaMT, Medeiros dispara contra petistas e avalia futuro em Brasília e no Estado

Robson Morais

Durante o breve recesso dos trabalhos no Senado, o senador mato-grossense José Medeiros (PSD) aproveita para... pensar e fazer política. Segue em reuniões junto às lideranças no Estado, percorrendo municípios. Quando não, aprimora as teses que tem lhe garantido espaço e força na capital Federal. Em conversa com a reportagem, nesta semana, voltou a traçar os atuais caminhos de Brasília, já apontado para sua candidatura à presidência do Senado, disputas de ego entre os Poderes, recuperação econômica e, claro, oposição aos petistas.

Peça importante no Senado desde meados do processo que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Medeiros analisou tecnicamente a balança pró e contra a ex-chefe da República em busca de argumento e munição que lhe sustentasse a posição. "Não foi golpe. Houve um grave crime", resume quando se refere ao impedimento. "Criou-se um mito em torno de Dilma, o de mulher honesta e competente. Mas a verdade é que ela cometeu crime, autorizou pagamento de caixa 2 e foi delatada em pelo menos R$12mi, recentemente passou a responder por três inquéritos. É como disse um repórter da emissora Al Jazeera quando a entrevistou: Ora, a senhora presidiu a Petrobrás, a Casa Civil, a República e mesmo assim nunca soube de nada. Pode-se dizer que a senhora é, portanto, mera incompetente?".

Medeiros, porém, reforçou por vezes à coluna que prefere não apontar dedo. "Isso é coisa dos petistas", diz em referência aos embates junto a parte pró Dilma no Senado.

Lava-Jato

Senador José Medeiros (PSD). Foto: Luan Dourado/GazetaMTPassado o impeachment, Brasília segue travada. Pautada diariamente pelos capítulos da Operação Lava-Jato. "A operação (Lava-Jato) ainda está nos pautando porque ela chegou num núcleo da ferida nacional, no núcleo duro. Pegou em cheio grupos que e acostumaram a institucionalizar o caixa 2 e expandiu este método pelo país inteiro. "A Lava-Jato está dando nome aos bois", diz Medeiros.

Resultado, afirma, porém, foi a mistura dos "bois". "Acabou misturando boi preto com boi branco. Os de doação ilegal e os de doação legal também acabaram ficando enrolados por conta de uma mesma lista. Isso nos trouxe uma instabilidade muito grande. Mas queremos que a Lava-Jato vá até o fim".

 

Temer, Jucá, Renan...

Perguntado sobre o aparecimento da alta cúpula peemedebista na lista de receptores de propina, Medeiros afirma não ter ficado surpreso. Vice líder do governo Temer no Senado, o parlamentar afirma estar mais preocupado com governo enquanto projeto. "São as lideranças que tem o condão para fazer captação de recurso. Nós já sabíamos que seriam citadas. Ainda assim, meu compromisso é com o projeto de governo e não com os nomes ou com o que supostamente fazem nas trevas. Quero que o país tenha controle de gastos, pague as emendas e mande recurso pros estados. O que cada um fez de legal ou ilegal é outra coisa, que respondam de acordo com a necessidade".

Senado x Judiciário

"Foi simbólico", refere-se Medeiros à recusa do atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em receber um oficial de justiça a mando do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe pedira o afastamento. "Por ser o presidente de um Poder, foi algo realmente forte", lembra.

Reforça discordar, porém, da decisão "monocrática" do Judiciário em determinar a queda do presidente do Senado. "Os Poderes, harmônicos ou não, tem sua autonomia. Não se tira um presidente de seu cargo desta forma", opina.

"Vamos arrumar o Brasil?", pergunta a reportagem. "A situação vai se normalizar. No campo midiático é mais difícil, porque tem muito ego envolvido. Mas politicamente as coisas vão se normalizar já neste início de ano. Depois dessa catarse de mídia a coisa toda vai baixar. A disputa Judiciário e Política hoje está envolva a muita vaidade", responde o senador da República.

Presidência do Senado

Já no início de fevereiro, chega ao fim o mandato de Calheiros como presidente do Senado. Medeiros segue articulando sua candidatura. "Há quem diga que é um suicídio político. Mas não tem problema, porque hoje tenho respaldo. Se continuar este cenário eu serei sim candidato. Tenho medo é de errar pela omissão, prefiro errar por ação, desde que pensada", frisa.

Retomada econômica

Senador José Medeiros (PSD). Foto: Luan Dourado/GazetaMTPara o senador, o estopim da operação Lava-Jato deverá ocorrer em fevereiro deste ano, tempos de início da retomada das rédeas no governo. "Nossa missão é recuperar a confiança econômica, resolver o embate com o judiciário. Acho que até fevereiro estará tudo às claras e ai vamos caminhar".

Eleições 2018

"O PT sempre contou com malandragem do Lula e a falsa imagem de que governava para pobre", já inicia Medeiros a conversa sobre a possível volta de Luiz Inácio Lula da Silva às urnas já no próximo ano. "Para mim, o Lula está mais para candidato a presidiário do que a presidente", dispara. "Lula está com tanto processo que cada vez se enrola mais. Todos os delatores o estão delatando e essa história de que não tem prova é mentira. Tem mais do que prova", prossegue. "A própria Dilma corre o risco de ser presa. Isso porque o que era comum, o tal do caixa 2, não é mais aceito pela sociedade".

Trazendo a disputa eleitoral para o Estado de Mato Grosso, garante estar alinhado ao apoio ao atual governador Pedro Taques, confiante de que, passado o momento de crise, a popularidade do início de mandato retorne. "O Taques há oito meses era presidenciável, quando faltou dinheiro o demonizou. Mas a situação vai melhorar. As pessoal vai avaliar e perceber que voltamos a caminhar".

Rondonópolis

Por fim, a entrevista se encerra com a avaliação de Medeiros sobre o atual prefeito de Rondonópolis José Carlos do Pátio (SD), para quem abriu as portas da capital Federal e já garantiu a destinação de recursos. "Acredito que será um bom prefeito. Ele tem caminhado muito, ido em busca dos apoios. É inteligente e trabalhador, além de habilidoso politicamente. É importante essa gana que o Zé tem de provar para o povo que pode ser um bom gestor. Isso dá até confiança em nós parlamentares de Brasília em mandar recursos e investimentos", finaliza Medeiros.