2 de Ago. de 2018 às 08:09

Medeiros critica juiz do TRE: "Até ontem advogava para partidos"

Senador do Podemos perdeu o cargo na noite de terça-feira, por decisão da Justiça Eleitoral

Gazeta MT

O senador José Medeiros (Podemos), que teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) na última terça-feira (31), colocou sob suspeita a atuação do relator do processo, o juiz eleitoral Ulisses Rabaneda.

O julgamento - que cassou o mandato do parlamentar por unanimidade - é resultado de uma ação relativa a uma suposta fraude na ata da convenção que definiu os candidatos da chapa de Pedro Taques na eleição ao Senado em 2010. A coligação tinha Medeiros e Paulo Fiúza como primeiro e segundo suplentes, respectivamente.

Segundo Medeiros, o julgamento neste momento tem como objetivo único tirá-lo da disputa eleitoral deste ano. Ele também critica o fato de os julgamentos estarem sendo conduzidos por pessoas que até pouco tempo advogavam para partidos políticos.

"A quem interessa tirar o senador José Medeiros da disputa? Não vou citar nomes, mas é até em função disso que estou defendendo a proposta do senador Cassio Cunha Lima, buscando acabar imediatamente com essa excrecência dessa história de que um sujeito está advogando num dia para um partido político e no outro dia está decidindo a vida das pessoas que estão no processo político", disse o senador.

 "É o caso desse rapaz, o Rabaneda. A vida inteira desse rapaz foi sendo advogado das pessoas que estão no processo político. Aí agora ele vai julgar se eu posso ser candidato ou não. Dá uma olhada no voto desse rapaz. Foi tão bem construído que se eu não soubesse a verdade desse processo eu seria capaz de votar contra mim", afirmou.

As declarações foram dadas durante entrevista a Rádio Capital, na manhã desta quarta-feira (1).

Na ocasião, Medeiros afirmou, inclusive, que irá acionar Rabaneda no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os TREs são compostos por dois desembargadores, três juízes e dois advogados com notório saber jurídico indicados pelo Tribunal de Justiça.

 "Então, o que acontece? Esse tipo de coisa. Ele está num escritório de advocacia hoje, passa dois anos no tribunal, depois é reconduzido de novo. Que justiça é essa? Amanhã esse rapaz vai estar num escritório de advocacia novamente".

Suposta fraude

Ainda durante a entrevista, Medeiros afirmou que jamais chegou perto da ata que supostamente teria sido fraudada.

 "Cassaram o senador Medeiros por conta de uma ata. Ata que nunca assinei, nunca cheguei perto. Então o que eu tenho a dizer as pessoas é que isso é uma patifaria, uma mentirada", d

"Quando Pedro Taques era candidato ao Senado, ninguém nem queria ser suplente dele. Ele estava com 1% [das intenções de voto]. Ninguém nem passou perto de ata, porque achava que ele estava ali só para competir", afirmou.

Medeiros disse que a questão "ganhou tamanho" depois de Taques ter vencido a eleição.

 "O que sei dessa ata é que Zeca Viana [que era primeiro suplente] renunciou. Eu era candidato a federal. No ultimo mês da campanha ao Senado, me convidaram pra substituir o Viana", afirmou.

 "Estão falando que esse senhor [Fiuza] era pra ter sido o primeiro suplente. Impossível que fosse, porque eu só poderia entrar como segundo suplente, se o Fiúza também tivesse renunciado, o que não aconteceu. Isso o TRE sabe, mas não levou em conta. Porque eu só podia entrar no lugar do Zeca? Porque foi ele quem desistiu", explicou.

Por fim, Medeiros disse que vai recorrer da decisão. "Não vou me dobrar. Nada temo, nada devo e não tenho do que me envergonhar". As informações são de Camila Ribeiro, do Midia News.