8 de Nov. de 2019 às 06:40

Juiz condena Zaqueu, coronéis são absolvidos e cabo perdoado

Ex-comandante da PM foi sentenciado há 8 anos e pode perder patente.

Gazeta MT

Reprodução

A Justiça Militar de Cuiabá condenou, na noite de quinta-feira (07), o ex-comandante-geral da Polícia Militar Zaqueu Barbosa a 8 anos de prisão, no regime semiaberto, no processo que investigou o esquema dos grampos ilegais, em Mato Grosso.

Os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros e o tenente-coronel Januário Batista foram absolvidos, por insuficiência de provas. Já o cabo Gerson Corrêa Junior, ganhou perdão judicial.

O esquema de interceptações telefônicas ilegais feitas no âmbito da Polícia Militar do Estado, veio à tona em maio de 2014 por meio de uma reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Entre as vítimas dos grampos então políticos, jornalistas, médicos, empresários e advogados.

A sentença dos réus foi proferida no segundo dia de julgamento do caso. Em sua maioria, o Conselho de Sentença, formado por quatro coronéis, acompanhou o voto do juiz Marcos Faleiros.

Para o magistrado, apesar de não reconhecer a delação unilateral de Zaqueu, foi concedido a ele os recursos previstos em caso de colaboração e diminuiu pela metade a sua pena.

No entanto, o Ministério Público Estadual pedia que o ex-comandante fosse condenado a 16 anos de prisão.

"As provas demostram que o coronel Zaqueu foi o responsável por comandar o escritório de arapongagem "com objetivo de prejudicar a democracia, espionar alvos políticos, amantes, adversários profissionais, entre outros”.

Já quanto ao cabo Gerson, que também admitiu participação no esquema e deu detalhes sobre o funcionamento do esquema, o juiz também não reconheceu a colaboração, mas concedeu o benefício do perdão judicial por ter auxiliado nas investigações.

Ainda conforma a decisão, Zaqueu também foi sentenciado à análise de perda da patente.

Grampolândia Pantaneira

O esquema de espionagem funcionou por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

No caso da denúncia, foi usado um inquérito que investigava uma quadrilha envolvida com o tráfico de drogas.

Dentro do pedido de quebra do sigilo dos telefones dos supostos membros da quadrilha, foram inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo para monitorar.