Ex-secretário

“Não conseguia mais suportar o estilo centralizador dele”, diz Gérson Oliveira sobre o ex-prefeito

Gérson oliveira diz que desentendimento gerou pedido de exoneração ontem, mas pode voltar para Prefeitura se Ananias chamar

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15 de Maio de 2012, 21h50

“Não conseguia mais suportar o estilo centralizador dele”, diz Gérson Oliveira sobre o ex-prefeito
“Não conseguia mais suportar o estilo centralizador dele”, diz Gérson Oliveira sobre o ex-prefeito

Considerado um dos homens de confiança do ex-prefeito José Carlos do Pátio, Gerson Araújo de Oliveira deixou a secretaria de Governo da Prefeitura na manhã de ontem (15), horas antes da posse de Ananias Filho. Mas, para a surpresa geral, declarou que sua decisão foi causada não pela mudança na chefia do Executivo, mas por incompatibilidade com o antigo chefe

"Pedi minha exoneração na manhã desta terça-feira em caráter irrevogável porque não queria mais trabalhar com o prefeito José Carlos do Pátio, não conseguia mais suportar o estilo centralizador dele. Posso até voltar ao cargo, mas se for convidado pelo prefeito Ananias Filho", revelou.

Gérson Oliveira disse que estará presente na reunião que será realizada hoje com o novo prefeito. A exemplo dos secretários que continuam no cargo, ele apresentará um relatório das ações de sua antiga pasta e, na sequência, deverá conversar com Ananias Filho sobre a sua volta ao cargo. Independente da resposta do novo prefeito, ele garante que pretende se afastar de José Carlos do Pátio.

"Trabalhei muito pelo Zé, na verdade ele foi o único líder político que tive durante toda avida. Mas, com o tempo, fui vendo coisas com as quais não concordava e me decepcionei. Dediquei muitos anos a uma única linha de pensamento e hoje considero que esta linha tem alguns pontos, alguns nós, que não são viáveis para mim, para minha família e talvez nem para a sociedade", disse ele sem entrar em detalhes.

Na gestão de José Carlos do Pátio, Gerson Oliveira ocupou primeiro a secretaria municipal de Administração, passando depois à secretaria de Governo. Ele disse que guarda boas lembranças do primeiro cargo, mas reclamou da falta de autonomia nas duas situações.

"Na secretaria de Administração ainda havia alguma liberdade para trabalhar, mas, desde o ano passado, quando fui para a Secretaria de Governo a situação se complicou. Eu não tinha autonomia para nada. Não podia demitir e nem contratar, até as autorizações de diárias para funcionários dependiam diretamente do prefeito. Mas, se algo dava errado, a culpa era minha. Ele amarra as duas mãos e quer que a gente jogue peteca", reclamou.

Gerson de Oliveira também negou influência na definição das ações e até nos gastos do Governo na área da Comunicação, outro ponto que vinha gerando atritos na relação com o prefeito nos últimos meses. Ele afirma que só não deixou o cargo antes atendendo a pedidos do ex-coordenador de comunicação, Celson Carvalho, e da ex-secretária Regina Celli.

Apesar das críticas duras, Gérson Oliveira disse que ainda tem simpatia pelo ex-chefe. "Não é que eu esteja falando mal. Na verdade acho que ele fez muita coisa boa, ajudou o povo mais pobre e teve avanços na administração. O problema foi o estilo centralizador", avalia.

 A reportagem tentou ouvir o ex-prefeito José Carlos do Pátio sobre as declarações, mas ele não foi encontrado.

 

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