MORTE DE ALUNO

Tenente Ledur é excluída de lista de promoção por responder a processo de tortura

Comissão avaliadora decidiu por unanimidade retirar a acusada da lista de oficiais que concorrem a promoção de capitão.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

02 de Julho de 2019, 10h00

Tenente Ledur é excluída de lista de promoção por responder a processo de tortura
Tenente Ledur é excluída de lista de promoção por responder a processo de tortura

O nome da tenente Izadora Ledur Dechamps, foi retirado da lista de Comissão de Promoção de Oficiais (CPO), onde pela segunda vez, ela tentava uma promoção para capitã no Corpo de Bombeiros.

A primeira tentativa ocorreu em 2017, onde ela teve seu pedido negado por responder a um procedimento administrativo.

Ela é acusada pelo crime de tortura que resultou na morte do ex-aluno bombeiro Rodrigo Claro, 21 anos, em novembro de 2016.

Ledur responde pelo crime e o processo está em andamento na 11ª Vara Criminal Militar de Cuiabá, sob a titularidade do juiz Marcos Faleiros.

De acordo com os bombeiros, a avaliação dos critérios previstos em lei para a elevação de patente é feita pela Comissão de Promoção de Oficiais, que é composta pelo comandante-geral da corporação e mais quatro coronéis, onde a ficha funcional do candidato é analisada, bem como os atos da vida profissional.

Os candidatos ainda são submetidos a avaliações físicas e de saúde, exames estes que Ledur teria sido aprovada, em exames realizados em 28 de março, junto com outros oficiais.

No entanto, por não preencher ao requisito de conceito moral, respondendo ela pelo crime de tortura durante o 16° Curso de Formação de Oficiais do Corpo de Bombeiros, ela foi removida da lista de oficiais aptos para a promoção.

Caso Rodrigo Claro

Rodrigo Claro, morreu no dia 15 de novembro de 2016 após participar de treinamento e atividades aquáticas. Ele realizava uma travessia a nado na lagoa com os demais companheiros de curso.

Segundo denúncia do Ministério Público, a vítima foi submetida a sessões de afogamento durante a travessia, praticadas pela tenente.

Ledur responde a um processo administrativo junto ao Conselho de Justificação, que pode culminar inclusive na demissão.

Além disso, responde a um processo na 11° Vara Criminal Militar por tortura com resultado morte.

Caso Maurício Santos

Um novo Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado pelo Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, para investigar uma nova denúncia de tortura que teria sido cometidas pela tenente Izadora Ledur durante o 15º curso de Formação do Corpo de Bombeiros, em 2015.

A denúncia foi feita pelo ex-aluno Maurício Santos, que diz ter sofrido tortura e abusos por parte da tenente.

Ao GazetaMT, ele disse que se não tivesse desistido do curso tem certeza que teria morrido nas mãos de Ledur.

“A mesma coisa que aconteceu com o Rodrigo Claro aconteceu comigo, a única diferença é que as sessões de afogamento do Rodrigo ela fez enquanto ele fazia a travessia da Lagoa Trevisan, e comigo ela fez parado, no meio da lagoa. No dia desta instrução, que eu me vi obrigado a desistir do curso, porque se eu não fizesse isso, hoje eu posso dizer mais firme do que nunca, que eu não teria saído vivo”, afirmou.

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