HÁ 4 MESES
Mães continuam à espera de leite especial
Crianças de 0 a 2 anos intolerantes a lactose seguem sem receber fórmulas em Rondonópolis
23 de Abril de 2019, 09h05
Até hoje, final de abril, crianças de 0 a 2 anos de idade com alergia à proteína do leite de vaca -ALPV (leite comum) seguem sem receber do município fórmulas especiais. No dia 26 de fevereiro, a reportagem do GazetaMT trouxe à tona o caso.
Hoje (23) pela manhã, entramos novamente em contato com as mães. Algumas receberam o leite especial pela última vez em janeiro. Outras nem isso. Agora, episódio mais recente, se dedicam a cobrar diariamente ao menos uma resposta da Prefeitura. "A gente se organiza, liga todo dia. Mas num não dão resposta, não. O que falam pra gente é que o pessoal da Saúde vai providenciar. Vai providenciar...", conta uma mãe.
No último dia 20 de fevereiro, as mães estiveram na Câmara dos Vereadores. Depois disso, "a secretária municipal de Saúde de Rondonópolis (Izalba Albuquerque) pediu um prazo de 25 a trinta dias para normalizar a situação". A promessa não foi cumprida.
Fevereiro
No dia 29 de fevereiro, a reportagem "Crianças intolerantes a lactose estão sem receber leite especial" trouxe á tona o caso. Na ocasião, a mãe de um menino de oito meses diz que ganhou o direito a receber o leite especial em dezembro de 2018. Em fevereiro, porém, já não recebeu nenhuma lata. "Meu filho faz uso do Neocate LCP e cada lata com 400g custa em torno R$ 240,00 em uma farmácia convencional. São mais ou menos duas latas por semana", contou.
Outras mães -pelo menos seis confirmadas à reportagem- estão em situação parecida. Sem o fornecimento gratuito nem condições financeiras para pagar pelo leite especial um grupo se organizou e saiu em campanha pedindo doação para tentar arrecadar ao menos parte do leite não fornecido.
Além do Neocate LCP há crianças que fazem uso do Pregomin Pepit. Este, por sua vez, custa em torno de R$ 140 reais a lata com 400g em uma farmácia comum. Os pedidos para o recebimento mensal do leite especial são encaminhados via Defensoria Pública e a quantidade e o tipo de leite para cada criança são determinados pelo médico.
Sem resposta
Ainda em fevereiro, a reportagem solicitou um pronunciamento por parte da secretária municipal de Saúde de Rondonópolis, Izalba Albuquerque ou responsável na Pasta sobre o caso. Perguntas referentes ao desabastecimento, previsão de normalização e contrato do município junto ao fornecedor foram enviadas, por intermédio da assessoria de imprensa do Poder Executivo. Até o fechamento do texto, não obtivemos resposta.
Desta vez, novo contato. Até o fechamento da publicação, a prefeitura não havia atendido à solicitação. Em seguida, enviou a seguinte nota:
ATUALIZAÇÃO (às 9h45)
A Secretaria Municipal de Saúde informa que, respeitando os trâmites legais, o empenho para o pagamento da fórmula especial será encaminhado nesta terça-feira (23) ao Departamento de Contabilidade da Prefeitura e, na sequência, ainda hoje, após a chancela deste departamento, o documento será enviado para a empresa fornecedora do produto.
A Pasta ainda comunica que a previsão é de que o leite especial esteja disponível no município dentro de dez dias úteis.
Vale lembrar que os pacientes que recebem tanto a fórmula Pregomim pepti quanto a Neocate LCP apresentam documentação requerida para cadastramento e avaliação, além de acompanhamento para as dispensas necessárias.