RESPIRADORES FALSOS
Pátio e Izalba dão versão sobre golpe e apontam fatos novos
Em entrevista coletiva, prefeito e secretária de Saúde afirmaram que parte do recurso gasto foi recuperada; caso segue com a Polícia Judiciária Civil
24 de Abril de 2020, 17h29
Em entrevista coletiva à imprensa, o prefeito de Rondonópolis José Carlos do Pátio, acompanhado da secretária municipal de Saúde, Izalba Albuquerque, e do procurador do Anderson Godoi, deu a versão da gestão municipal sobre o golpe sofrido pela Prefeitura na compra de 22 respiradores falsos vendidos por uma empresa sediada em Palmas (TO). O caso ganhou novos fatos desde a reportagem pelo site GazetaMT na manhã de hoje (24).
Segundo prefeito, secretária e procurador, cerca de 70% do dinheiro repassado à empresa Life Med Comércio de Produtos Hospitalares e Medicamentos EI foi recuperada com a ajuda da Justiça. No total, a compra saiu pelo preço de R$4,136 milhões pagos pela Prefeitura de Rondonópolis. Desde a data da abertura dos pacotes, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, a Justiça foi acionada para o bloqueio dos recursos ainda nas contas emitidas para depósito.
A Polícia Judiciária Civil acompanha o caso e já tem informações dos representantes da empresa fornecedora. As investigações seguem em sigilo, segundo o prefeito. “A gente nem acredita que isso exista nesse mundo, nesse país. Pessoas de má fé. Mais do que nunca nós precisávamos destes ventiladores, temos comprado também em outros Estados. Hoje Rondonópolis tem uma quantidade até viável de equipamentos, mas o que aconteceu foi algo extremamente constrangedor”, disse Pátio.
Segundo Izalba, diferente da reportagem pela manhã, o responsável enviado pela equipe de Saúde de da secretaria municipal a Goiânia (GO) – local da entrega- conferiu cada uma das 22 caixas de equipamento e conferiu serem verdadeiros antes do pagamento. “Nosso funcionário conferiu, realizou todos os procedimentos para a compra, nos enviou fotos. Só então efetuamos o pagamento. Somente de depois de tudo conferido e pago é que o caminhão é liberado para retornar ao município”, explicou.
O recebimento, continua Izalba, foi realizado em Goiânia em razão da indicação. A fornecedora da capital de Goiás sugeriu ao município a empresa alvo no caso.

Empresa nova
Numa pesquisa rápida ao CNPJ da empresa que vendeu os equipamentos à Prefeitura, consta como data de abertura da Life Med (nome fantasia) a data de 13 de setembro de 2019. Uma empresa com pouco mais de sete meses conseguiu fechar um negócio de mais de R$ 4 milhões com a Prefeitura. Questionada pela reportagem do GazetaMT, Izalba se defendeu:
“Esta empresa nos foi indicada pela fornecedora, de Goiás. Seguimos as determinações do Tribunal de Contas do Estado. A empresa (Life Med) tinha todas as certidões e nenhum problema quanto á sua idoneidade. No momento da compra, verificamos toda a aquisição, cada uma das 22 caixas, e só então fizemos o pagamento. Até então a empresa que vendeu estava cumprindo com todo o combinado”, disse.