“Disputa Acirrada”

Câmara de Cuiabá deu título de Comendador a Bixeiro preso e delator da Sodoma

O vereador Adevair Cabral foi quem indicou o empresário Frederico Müller Coutinho ao título

por De Cuiabá - Sabryna Carvalho

29 de Maio de 2019, 14h09

Câmara de Cuiabá deu título de Comendador a Bixeiro preso e delator da Sodoma
Câmara de Cuiabá deu título de Comendador a Bixeiro preso e delator da Sodoma

Recentemente a Câmara de Cuiabá condecorou no dia 15 deste mês o empresário Frederico Muller Coutinho com o título de "Comendador", a indicação foi feita pelo vereador Adevair Cabral (PSDB). O honroso título é entregue para pessoas que se destacam por ajudar a engrandecer a sociedade, seja por trabalhos ou influências sociais. Já o cenário apresentado na manhã desta quarta-feira (29), no qual o empresário foi preso durante a operação "Mantus", demonstrou uma conduta reversa a condecoração oferecida pelos parlamentares ao 'bixeiro". Acusado de ser líder de umas das organizações criminosas envolvidas com lavagem de dinheiro e com a contravenção penal denominada "Jogo do Bicho". Frederico também é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa.

O delegado Luiz Henrique Damasceno, da Delegacia Fazendária, responsável pela operação, ressaltou que a disputa entre as organizações de João Arcanjo Ribeiro, também preso nesta manhã, e Müller, é muito acirrada. "Tem duas organizações que estavam brigando entre elas. O Frederico, recentemente também conquistou o título de Comendador, foi agraciado pela Câmara Municipal de Cuiabá, com o mesmo título do Arcanjo, para se ter uma noção de como era acirrado, até nos títulos queriam se equiparar", ironiza o delegado.

Conforme o delegado, em um ano, os dois grupos movimentaram cerca de R$ 20 milhões no Estado. Na capital 20 prisões foram consolidadas. "O mais importante que eram as lideranças, foram presas", avalia o delegado.

Operação

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29.05), a operação "Mantus", com o escopo de prender duas organizações criminosas envolvidas com lavagem de dinheiro e com a contravenção penal denominada "Jogo do Bicho".

A operação visa dar cumprimento a 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.

As ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e em mais 5 cidades do interior do Estado. Um dos alvos foi preso no aeroporto de Guarulhos com apoio da Polícia Federal. 

As investigações iniciaram em agosto de 2017, conseguindo descortinar duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho no Estado de Mato Grosso, e que movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões. Uma das organizações é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

João Arcanjo Ribeiro, conhecido como "Comendador", é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso, nas décadas de 80 e 90, sendo o maior "bicheiro" do Estado, além de estar envolvido com a sonegação de milhares de reais em impostos, entre outros crimes.

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