RESPIRADORES FALSIFICADOS
Imprensa nacional repercute compra da Prefeitura de Rondonópolis e ficha de dono da empresa é destaque: “mecânico de automóveis”
Ontem, após publicação de Buxixo, Prefeitura confirmou visita de representante da Life Med e proposta de novo prazo de entrega de equipamentos verdadeiros
30 de Abril de 2020, 09h28
Veículos de imprensa de grande repercussão nacional seguiram jornalistas de Rondonópolis em busca de maiores detalhes sobre a compra de respiradores falsificados feita pela Prefeitura de Rondonópolis, um prejuízo de mais de R$ 4 milhões aos cofres públicos. O caso segue sendo investigado pela Polícia Judiciária Civil (PJC) do Estado e a cada fato novo, novo também o espanto.
Empresa nova
Reportagem publicada pelo GazetaMT no dia 24 de abril questionara um elemento, talvez, fundamental neste caso. A empresa que vendeu os equipamentos à Prefeitura, a Life Med Comércio de Produtos Hospitalares e Medicamentos, possuía abertura de CNJP registrada recentemente. A empresa, segundo os registros, existe há pouco mais de sete meses, foi aberta no dia 13 de setembro de 2019. Perguntada sobre a checagem da procedência da vendedora, a secretária municipal de Saúde, Izalba Albuquerque, argumentou: “Esta empresa nos foi indicada pela fornecedora, de Goiás. Seguimos as determinações do Tribunal de Contas do Estado. A empresa (Life Med) tinha todas as certidões e nenhum problema quanto á sua idoneidade. No momento da compra, verificamos toda a aquisição, cada uma das 22 caixas, e só então fizemos o pagamento. Até então a empresa que vendeu estava cumprindo com todo o combinado”.
A data de registro chamou a atenção de veículos nacionais, como o portal UOL. O site foi, ainda, além e buscou informações sobre o passado da Life Med e do então proprietário da Life Med. “De acordo com a Receita Federal, a empresa que vendeu os equipamentos foi criada em setembro do ano passado com sede em Palmas, e tem como atividade principal o comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e higiene pessoal. O dono, de acordo com processos na Justiça do Tocantins, é um mecânico de automóveis”.
Em resumo, uma empresa com cerca de sete meses, cuja atividade registrada é a venda de cosméticos e o proprietário, também segundo os registros, é um mecânico de automóveis, fechou um contrato de R$ 4,136 milhões com a Prefeitura de Rondonópolis.
Outro detalhe importante: O capital social da empresa vencedora do contrato, segundo a imprensa nacional, era de apenas R$ 100 mil.
Cada um custou R$ 188 mil
Cada respirador falso custou R$ 188 mil. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, o valor pago pelos aparelhos, de um modelo nacional, pode ser considerado excessivo, mas há ressalvas.
O mercado mundial deste tipo de equipamento está desregulado pela alta demanda e pouca oferta de fabricantes. O dólar perto de R$ 5,50 é outro fator que encarece o produto.
A título de comparação, em abril, o Ministério da Saúde anunciou que encomendou 6,5 mil respiradores de fabricantes nacionais a um custo de R$ 322,5 milhões — ou cerca de R$ 50 mil cada um.
Representante fez proposta
Ontem, após a publicação da coluna Buxixo, antecipando em primeira mão a visita de representantes da Life Med à Prefeitura, a assessoria de comunicação do Poder Executivo emitiu nota confirmado o encontro.
“A Procuradoria Geral do Município informa que representantes da empresa Life Med vieram a Rondonópolis para buscar um acordo com a Prefeitura. A empresa ofereceu entregar 10 ventiladores pulmonares em 20 dias e outros 12 em 40 dias. A Prefeitura não aceitou e a empresa afirmou que ainda nesta quarta-feira (29) informaria prazos de entrega melhores ao município. Porém, não houve nova proposta até o final desta manhã”. (manhã de quarta-feira, dia 29).
Ainda segundo a nota emitida: “Caso a empresa apresente uma nova proposta será avaliada”.