VIRADA DE MESA
Sessão para cassar Abílio se volta contra Misael Galvão
Vereador alvo do processo e aliados consideram procedimento criminoso por parte do presidente da Câmara por continuidade em processo “ilegal”
06 de Março de 2020, 14h48
Quem chegou cedo para acompanhar a sessão extraordinária da Câmara dos Vereadores de Cuiabá nesta sexta-feira (6) certamente não poderia imaginar um desenrolar de fatos tão cinematográfico. Inicialmente, os vereadores decidiriam pela cassação ou não do mandato do vereador Abílio Brunini, o Abilinho (PSC). Horas depois, quem fala mais alto é o até então alvo, que chegou a exigir, inclusive, a prisão em flagrante do presidente da Casa, o vereador Misael Galvão.
Abílio tem, neste momento, apoio popular e de parte significativa da Câmara. Todos, é evidente, com discurso devidamente ensaiado e uniforme. Pela manhã, aguardaram e acompanharam cada passo no andamento da sessão para, então, convocar Misael quanto à sua ilegalidade. Para começar, o procedimento que pode levar à cassação de Abílio foi feito por Oseias Machado, suplente de vereador, pessoa física. Tal ato só poderia, como argumentam os pró Abílio, ser feito pela Mesa Diretora ou partido político.
“Soberano é o Código de Ética, sobreano é a Lei Orgânica do município. Temos que respeitar as leis, que vieram muito antes desta Legislatura. Diego (Guimarães) solicitou que seguíssemos o Código de Ética e eu cito aqui a Lei Orgânica: 'a perda de mandato será declarada pela Câmara, por voto nominal da maioria absoluta mediante provocação da Mesa Diretora ou partido político, assegurada ampla defesa'. A representação tem que ser feita por partido político ou Mesa Diretora e esta representação foi feita por Oseias Machado, pessoa física, primeiro suplente e principal interessado nesta cassação, inclusive denunciado na Operação Sangria. Quero um parecer técnico da procuradoria", disse mais cedo o vereador Felipe Welaton.
Pedido de prisão
No auge do tumulto, a Policia Militar precisou intervir. Abílio pediu a prisão em flagrante de Misael Galvão por crime de responsabilidade e abuso de autoridade. Agora a tarde, ele voltou a reiterar a intenção. “Pena de dois meses a seis anos. O parecer da CCJ é claro e Misael cometeu crime de responsabilidade quando deu continuidade ao rito por mera exposição midiática. O senhor deve ser penalizado. O senhor desrespeitou todas as esferas” disparou o vereador.
Neste momento, a sessão extraordinária segue na Câmara.
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