Caso encerrado

Polícia Civil apresenta os dois assassinos de João César e declara o caso como encerrado

Matheus Michel dos Santos Silva, 18 anos e o menor I.F.J, de 17, são os acusados pelo crime de latrcínio contra o candidato

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29 de Outubro de 2012, 19h00

Polícia Civil apresenta os dois assassinos de João César e declara o caso como encerrado
Polícia Civil apresenta os dois assassinos de João César e declara o caso como encerrado

Delegados de polícia Percival Eleutério (esq.) e Claudinei Lopes (dir.) - Foto: Marcos MagalhãesOs delegados da Polícia Civil Percival Eleutério de Paula e Claudinei Lopes reuniram a imprensa na tarde desta segunda-feira (29) para apresentar os autores do crime contra o candidato a vereador João Cesar Domingos, ocorrido no dia 19 de setembro. A mãe da vítima, Nícia Domingos, de 61 anos, também estava na coletiva.

Os responsáveis pelo assassinato, Matheus Michel dos Santos Silva, 18 anos e o menor I.F.J, de 17, foram presos no último sábado (29). Segundo a polícia, Matheus, que estava sendo monitorado por investigadores há duas semanas, foi detido no Jardim Liberdade, tentando fugir da cidade, encoberto por familiares.

Após a prisão dos acusados, a Polícia Civil afirmou que o caso foi dado como encerrado. "Neste final de semana concluímos as investigações", ressaltou o delegado de polícia Percival Eleutério de Paula.

O delegado Claudinei Lopes, que presidiu o inquérito policial por 25 dias, após o afastamento do delegado Marcos Sampaio Alves Ferreira, relatou que o caso teve repercussão estadual e que o interesse maior era dar uma resposta para a família. No entanto, devido à circunstâncias, a hipótese de crime político foi totalmente descartada. "Foi coincidência acontecer próximo às eleições. Todas as versões de que existia motivação política caíram por terra", declara, revelando que 50 pessoas prestaram depoimento e ainda mais 20 vão falar apenas para que não pairem mais dúvidas. 

De acordo com Claudinei, a movimentação de valores feitos por João César para pagar questões da campanha política motivou a dupla a planejar o crime. Ainda segundo o delegado, Matheus conhecia João César há quase um ano e sabia que o candidato teria R$ 10 mil naquele dia. "Matheus era próximo da vítima, saía com ele para beber, recebia dinheiro e infelizmente com o tempo teve essa ideia". Acusados do crime - Foto: Marcos Magalhães

Matheus Michel dos Santos foi indiciado por latrocínio (roubo seguido de morte) com penas de 20 a 30 anos e seguirá para a Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, anexo da Mata Grande. O adolescente cumprirá medida de internação no Centro Socioeducativo por até 3 anos. 

RECONSTITUIÇÃO DO CRIME

Através de extratos telefônicos, os investigadores da Polícia Civil conseguiram constatar que horas antes de morrer, João César ligou três vezes para Matheus, que ligou duas vezes para o menor, provavelmente confirmando o lugar que se encontraria com João. O revólver calibre 38, utilizado no assalto, foi comprado por R$ 1 mil  pela dupla. Cada um teria pago R$ 500 pela arma. 

Chegando no local de encontro, Matheus, sob efeito de maconha, entrou do lado do passageiro do carro da vítima e o menor sentou-se no banco traseiro. João César teria estranhado a presença do adolescente. Próximo à Igreja São José do Operário, eles anunciaram o assalto e exigiram R$ 20 mil. 

Com apenas R$ 200, João César implorou para não ser morto, mas Michel desferiu um tapa no rosto e tomou a direção do carro sentido Anel Viário, ponto final do fato. 

Às margens da rodovia, o menor não teve coragem de atirar. Matheus Michel então pegou o revólver e deu o primeiro disparo, na cabeça. João César caiu no chão. Em seguida, supostamente com medo da situação que daria se a vítima não fosse morta, I.F.J, pegou a arma e deu um outro tiro, bem próximo a cabeça de João. Após oa execução, os dois saíram do local no veículo da vítima levando os R$ 200. O carro foi abandonado no bairro Jardim Primavera, próximo ao Jardim Dom Bosco, onde moram os suspeitos.

O CELULAR

Segundo Claudinei Lopes, através da interceptação, foi visto que o celular de João César continuava em funcionamento. O chip, porém já havia sido descartado. 

A Polícia Civil identificou que o usuário de drogas Sílvio de Souza Neto, 25 anos, furtou o celular de João, que já estava morto no local. Sílvio estava próximo ao local da execução e ouviu os disparos. Após a saída dos autores, ele se aproximou do local, subtraiu o celular da vítima e depois negociou para mais dois menores. O aparelho chegou então às mãos de Claudinei do Nascimento Félix, 23, que possui a ficha limpa, mas foi autuado por receptação culposa. Sílvio será indiciado por furto.

DEPOIMENTOS

Os acusados foram apresentados na sala e Matheus confirmou em parte a versão dada pelos delegados. Matheus revelou que se arrepende do crime e que não teria planejado a morte do amigo. O adolescente passou a maior parte do tempo chorando e em certo momento, pediu perdão à Dona Nícia pelo assassinato. Em relação a compra da arma utilizada no assassinato, Matheus disse que adquiriu para sua defesa, pois recentemente eles haviam se envolvido em uma briga nas proximidades do bairro onde moram.

Revólver calibre 38 foi comprado pela dupla por R$ 1 mil - Foto: Marcos Magalhães

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