Denúncias
Investigações do 'Caso João César' foram prejudicadas por tentativa de exploração eleitoral
Delegados evitaram citar nomes, mas acreditam que denúncias falsas poderiam ter afetado o resultado da eleição para prefeito
30 de Outubro de 2012, 06h00
A tentativa de explorar eleitoralmente o caso do assassinato do servidor público e candidato a vereador pelo PMDB, João César Domingos, atrapalhou e atrasou o resultado da investigação policial. Segundo o delegado regional, Percival Eleutério, e o responsável pelo inquérito, delegado Claudinei Lopes, os investigadores perderam muito tempo apurando denúncias falsas que visavam envolver políticos conhecidos em Rondonópolis. As investigações da Polícia Civil, divulgadas oficialmente ontem (29), apontam que o servidor foi vítima de um latrocínio praticado por dois jovens - o menor I.F.J, de 17 anos, e Matheus Michel dos Santos Silva, de 18 anos.
Os delegados afirmaram que houve pessoas que procuraram a Polícia Federal para denunciar o envolvimento de lideranças políticas no assassinato. Outras prestaram depoimento à própria Polícia Civil também sustentando que o crime teria sido motivado por causa das relações que a vítima tinha no meio político e também no serviço público municipal. João César trabalhava na Prefeitura há mais de dez anos e, antes de ser candidato, ocupou postos importantes nas gestões do ex-prefeito José Carlos do Pátio (PMDB) e do atual, Ananias Filho (PR).
Apesar de não citarem nomes dos denunciantes ou denunciados, em um momento da entrevista concedida à imprensa, o delegado Percival Eleutério deixou escapar que um dos alvos das denúncias foi o candidato eleito para a Prefeitura de Rondonópolis, Percival Muniz (PPS).
"Houve pessoas que procuraram a polícia para acusar um candidato a prefeito de envolvimento no caso e, se tivéssemos divulgados todas as informações que chegaram, é provável que ele tivesse perdido a eleição. Alguns setores da imprensa cobraram duramente, mas tivemos sempre o cuidado de filtrar e investigar as informações para chegar aos verdadeiros culpados e evitar prejuízos a cidadãos inocentes. ", declarou o delegado regional.
Percival Eleutério e Claudinei Lopes disseram que todas as hipóteses foram averiguadas ao longo da investigação, mas os fatos comprovaram que João César foi vítima de um crime comum e sem qualquer ligação com as atividades que exerceu como político ou servidor público.
"Vamos remeter de volta o material com as denúncias que foram feitas à Polícia Federal e avaliar o que fazer com as que foram recebidas pelo nosso policial. Definimos nossa investigação com base em provas concretas e ficou constatado que não houve crime político. Quem não acreditar nisso pode nos procurar, ou mesmo recorrer ao Ministério Público e à Polícia Federal. Mas é bom que também apresentem provas concretas", antecipou Claudinei Lopes.
Leia também:
Polícia Civil apresenta os dois assassinos de João César e declara o caso como encerrado
Caso João César: Polícia Civil retoma hipóteses que haviam sido descartadas
Delegado que investiga execução de João César é afastado; titular da Derf deve assumir o caso
Caso João Cesar: Hipótese de crime passional está praticamente descartada, diz Polícia Civil