Enfim
Bancadas do PSD e do PPS cobram e Câmara será obrigada a investigar obra da travessia urbana
Os vereadores do PMDB, PR e PP se recusaram a assinar o requerimento; a obra está orçada em cerca de R$ 53 milhões
04 de Julho de 2012, 18h05
O vereador Milton Mutum (PSD) protocolou na Câmara Municipal um requerimento pedindo a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito para investigar suspeitas de irregularidade na obra da travessia urbana. Apesar da recusa dos vereadores do PMDB e do PP, o documento foi endossado por outros três parlamentares atingindo o quórum mínimo para obrigar o Poder Legislativo a iniciar a investigação. A obra está orçada em cerca de R$ 53 milhões, sendo queR$ 27 milhões já foram pagos a empreiteira que venceu a licitação.
"O que aconteceu nesta obra é um absurdo e a sociedade merece explicações. Eles já consumiram mais da metade dos recursos e não fizeram nem 30% do trabalho. O pior é que os pedacinhos da obra que foram feitos têm péssima qualidade. Vamos até o fim nesta investigação e os responsáveis vão aparecer", afirmou Mutum.
O vereador disse que não compreendeu a recusa dos vereadores das bancadas do PMDB (Adonias Fernandes, Fulô, Milton Gomes da Costa e Manoel da Silva neto), do PP (Cido Silva) e do PR (Hélio Pichionni, José Márcio, Olímpio Alvis) em assinar o requerimento.
"Não sei o que eles querem esconder. Acho, inclusive, que eles deveriam ser os maiores interessados já que a obra foi iniciada por um gestor do PMDB (o ex-prefeito José Carlos do Pátio), com a supervisão do DNIT, que é dirigido pelo PR", destacou.
Apesar da recusa, o requerimento de Milton Mutum foi favorecido pelo regimento interno da Câmara que determina a abertura de investigações solicitadas por pelo menos um terço dos vereadores. O mesmo regimento prevê que a instalação ocorra em no máximo 60 dias a partir do protocolo, mas a expectativa é de que os integrantes da comissão sejam nomeados já na sessão ordinária da próxima semana.
A obra
A polêmica em torno da obra da travessia urbana começou em fevereiro deste ano, após a descoberta de que o trecho entregue dois meses antes estava cheio de rachaduras e se decompondo - o que levou à paralisação dos serviços.
O caso foi denunciado pela própria Câmara Municipal que, em abril, apresentou um amplo relatório elaborado por uma consultoria do DNIT e por técnicos da Objetiva Engenharia - a empreiteira que realiza os serviços. O documento confirmava os problemas e apontava falhas no projeto e também na execução da obra (veja links abaixo). Apesar das conclusões do relatório , ninguém foi responsabilizado até hoje.
Além de exigir a correção dos problemas encontrados, o DNIT também abriu procedimento interno visando apurar falhas da empresa de consultoria Maia Melo - que foi recebia cerca de R$ 100 mil reais por mês exatamente para fazer a fiscalização da obra.
A Prefeitura tinha um contrato, de cerca de R$ 30 mil/mês, com uma empresa de consultoria - a Diefra Engenharia - que também não conseguiu detectar os problemas previamente. Antes de deixar o cargo o então prefeito José Carlos do Pátio informou que havia solicitado também um relatório com esclarecimentos da consultoria, mas até hoje a documentação não foi apresentada.
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